Dar lugar à Esperança, por Joaquim Vitorino

Dar lugar à Esperança, por Joaquim Vitorino

                                                            Dar Um Lugar à Esperança Adega Cooperativa da Vermelha

É tempo do medo dar lugar à esperança; palavras ditas pelo Sr. Presidente da República que subscrevo inteiramente.

Portugal tem vivido sob ameaça nos últimos 40 anos; os alvos são os mesmos para quem estas palavras foram certamente direcionadas; as nossas crianças que foram condenadas à pobreza, e os idosos que foram traídos por aqueles em quem confiaram o voto.

Tive a oportunidade de escrever sobre este tema, quando das comemorações “paralelas” dos 40 anos do 25 de Abril. Algumas Instituições que têm a cobertura de constitucionalidade, estão há muito tempo desenquadradas da realidade portuguesa; funcionando como um entrave à recuperação económica, fundamental para dar a esperança às nossas crianças e às gerações futuras.

Portugal está a rumar contra uma maré de imprevisibilidades e de interesses, a que se juntam alguns fatores externos.

A nossa sociedade está dividida entre ricos e pobres, estando a originar uma “feroz luta de classes”, com os últimos em manifesta desvantagem; porque a justiça portuguesa não os protege; Alguns grupos estão mais preocupados em defender o seu estatuto de privilegiados, do que proteger os mais vulneráveis; veja-se os valores em cortes nos salários e pensões para se fazer uma justa avaliação; enquanto um salário baixo na reposição de cortes que sofreram vão recuperar uma dezena de euros, as “elites” recuperam milhares.

Com os dois principais partidos em conflito interno, não é muito de esperar que o “medo dê lugar à esperança” como referia o Sr. Presidente da República no dia 10 de Junho.

Portugal tem que ser Levantado com a participação de todos os portugueses, e não apenas com os mesmos de sempre.

O país começou a crescer, mas é um crescimento tímido e envergonhado; todas as semanas venho ao mundo rural, onde neste momento estou a escrever; a atividade local para além da Grande Cooperativa vinícola está praticamente parada; não obstante a resistência de alguns agricultores com mais de 70 anos, muitos deles já desatualizados e pouco produtivos, porque as máquinas são caras e dinheiro para equipamento novo não existe.

Pedro tem 23 anos abandonou os estudos para vir trabalhar na agricultura com o Avô; este recentemente perdera um filho num acidente que também era agricultor; Pedro quer dar continuidade ao projeto do falecido tio e do Avô; sendo o único jovem nesta atividade na Freguesia da Vermelha, que chegou a representar 50% do PIB no Concelho do Cadaval.

Os portugueses não despertam para o trabalho, precisam de incentivos morais e materiais quanto antes; o governo deve continuar com a austeridade para os que têm mais, e compensar com os meios necessários os que querem trabalhar; só assim as palavras do Sr. Presidente fazem o verdadeiro sentido.

Portugal só descola desta pobreza endémica, se todos puxarem pela mesma corda. Este Governo independentemente dos exageros cometidos com a austeridade, e porque deixou quase intactos alguns grupos influentes, fizeram algum “trabalho de casa” com persistência e diga-se alguma coragem; em que destaco o Primeiro-Ministro e a ministra das finanças que me tem surpreendido pela positiva. Seria injusto não me referir a António José Seguro, que aparte algumas “saídas” para consumo interno, fez uma oposição responsável tendo em conta o compromisso do seu partido no pedido de resgate que agora terminou.

Portugal está sufocado por grupos que não abdicam dos privilégios que durante anos foram acumulando, à custa do empobrecimento da grande maioria dos portugueses; se não for invertida esta injustiça, então o medo continuará a sobrepor-se à esperança.

* Joaquim Vitorino – Jornalista, Sub-Director do Jornal de Vila de Rei

Vermelha / Cadaval

Sub-Director: Joaquim Vitorino

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