O FAROL: A história de um país à deriva

O FAROL: A história de um país à deriva

O Farol

Pecados e carências de um país à deriva

Andar à deriva é andar sem rumo certo, ao sabor de ventos ou marés, sem objectivos definidos.

As provas de que Portugal se encontra nesta situação surgem, quase diariamente diante dos nossos olhos, como sejam, por exemplo:

  • A fragilização das instituições, através de movimentos concertados para as descredibilizar, nomeadamente o Tribunal Constitucional, alvo de soezes ataques de membros do governo e de criaturas ligadas aos partidos que o apoiam,

 

  • A guerra fratricida originada pela fome de poder no interior daquele que deveria posicionar-se como maior partido da oposição, e, consequentemente, como alternativa sólida e credível à actual governação, guerra que está a desgastar seriamente a sua imagem junto dos cidadãos e a correr o risco de prmitir a continuidade das actuais forças governativas

 

  • Uma outra guerra, esta de família que se desenvolve no interior de um dos maiores grupos económicos nacionais, cujos reflexos negativos se traduzem numa desvalorização dos seus activos, que, nomeadamente na componente não financeira, se traduzem já, segundo os especialistas, em vários milhões de euros, os quais, para serem cobertos deverão obrigar a família a vender alguns desses activos, já que, como entidades privadas essas empresas não deverão beneficiar de qualquer apoio estatal

 

  • A actuação oca do Presidente da república, que se esquiva a qualquer tomada de posição consistente sobre assuntos de interesse nacional, invocando as mais diversas desculpas, nomeadamente a de que não cede a pressões. Alguém, de entre a sua vasta e qualificada equipa de assessores, deveria explicar ao venerando chefe de estado, que, o cargo que ocupa é, naturalmente, sujeito a imensas pressões, as quais devem ser tidas em consideração, ao invés de serem ignoradas,

 

  •    A fragilidade crescente de um sistema judicial que tem dificuldade em lidar com processos que envolvem gente com poder, deixando à solta e no pleno gozo do produto dos seus crimes indivíduos que deveriam ser condenados a largos anos de prisão, como seja o caso de alguns protagonistas da gigantesca burla do BPN,

 

  • Um sistema fiscal que abocanha asfixiantemente tudo o que mexe na economia, para alimentar um estado que, quanto mais confisca mais gasta de forma descontrolada, muitas vezes contornando, através dos chamados ajustes directos, de justificação duvidosa a obrigatoriedade da aprovação de despesas pelo Tribunal de Contas

 

  • O roubo e a corrupção institucionalizados a diversos níveis da administração pública, frequentemente protagonizados pelos “boys” colocados pelos partidos em lugares de chefia da referida administração,

 

  • Um Serviço Nacional de Saúde que não tem dinheiro para funcionar adequadamente, mas que é alvo constante de burlas praticadas por gente do seu interior,

 

  • Um governo fértil em contradições, no qual um dos seus membros faz num dia uma afirmação, para, no dia seguinte, ser desmentido por um colega seu

.

  • Finalmente, um país sujeito a ordens vindas do exterior, resultantes de compromissos originados por uma dívida que, na situação actual, dificilmente será liquidada.

 

Este estado necessita, urgentemente de uma reforma, mas de uma reforma séria, que não tem nada a ver com aquilo a que o governo que, para além de não ter legitimidade para o fazer,  ignora tudo sobre o assunto, chamando  reforma do estado a uma coisa que não passa de um conjunto de ordens ditadas por um grupo de funcionários subalternos de instituições internacionais, chefiados por economistas de terceiro mundo.

Reformar o estado é, em primeiro lugar, pô-lo, eficientemente ao serviço dos cidadãos

E é, partindo deste princípio, que há um trabalho gigantesco a fazer, por quem sabe, claro!

Até breve

* António L Graça, Sub-Director do Jornal de Vila de Rei, Colunista Especializado do Jornal de OleirosAntónio Graça Nova foto

 

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