Pinhal, Terra de velhos e centenários?, por Eduardo Lyon de Castro

Pinhal, Terra de velhos e centenários?, por Eduardo Lyon de Castro

O que vale um Idoso em Portugal

Duas estações de TV transmitiram recentemente em horário nobre documentários dedicados à problemática do envelhecimento das populações. Trata-se de uma questão nacional com reflexos mais visíveis em regiões do interior, neste caso concretamente, os concelhos de Mação, Oleiros, Proença a Nova, Sertã e Vila de Rei.

Embora presumindo da bondade da intenção de levar ao conhecimento público a realidade que afecta de forma alarmante os referidos concelhos, o objectivo saiu defraudado pela mensagem que foi passada a qual dramatizou o tema de forma desnecessária e inconveniente.

Embora sem mandato de qualquer dos municípios parece-nos conveniente esclarecer o assunto de forma diferente, ressalvando desde já que o que foi mostrado nas TV´s é infelizmente a verdade. Mas isso todos os que aqui vivem sabem. Só que uma informação ainda que verdadeira mas fora do contexto destes concelhos, torna-se unilateral e de certo modo passa a desinformação.

Os concelhos em apreço – que a grande maioria dos portugueses desconhece, e que agora talvez se tenham dado conta que existem, e este será o mérito dos referidos documentários – são algo mais do que territórios de centenários, lares de terceira idade e de funerais antecipados. E é precisamente este algo mais que deveria também ter sido objecto de informação para que os milhões que os viram não ficassem com uma imagem tão negativa. Vejamos:

1º – Qualquer destes concelhos está privilegiadamente no centro do país a apenas duas horas da capital, porque servidos de excelentes estruturas rodoviárias.

2º – Qualquer destes concelhos tem das mais belas paisagens naturais do país.

3º – Qualquer destes concelhos apresenta notáveis níveis de assistência social.

4º – Qualquer destes concelhos é riquíssimo do ponto de vista gastronómico, suficiente ao nível do alojamento e com um enorme potencial turístico que só recentemente começou a ser explorado.

5º – E falando de património existem bastos e variados motivos de interesse (basta consultar os sites dos municípios).

Dirão alguns: pois é, mas mais de 65% da população tem mais de 65 anos! E os 35% restantes, não têm direito à diferença?

As razões que determinaram esta situação que dia a dia se agrava são muito complexas e têm de ser estudadas para se encontrar uma solução, porque o destino do Pinhal não pode ser o deserto.

Bons serviços ao país prestarão as estações de televisão contribuindo para a discussão deste problema, a prazo, talvez o mais grave de Portugal, e para isso bastaria dedicarem ao tema uma pequena fracção do que dedicam diariamente aos exaustivos, maçadores e irrelevantes comentários e reportagens sobre o chamado “desporto rei”.

* Eduardo Lyon de Castro, Colunista do Jornal de Vila de Rei

 

Share