Presidente Ramalho Eanes, ontem, hoje e sempre

PRESIDENTE RAMALHO EANES. ONTEM, HOJE E SEMPRE

Com a instauração da Democracia no nosso País, em boa hora sonhada e concretizada em 25.ABR.74 por uma grupo de jovens Oficiais das nossas Forças Armadas (F.A.) a maioria deles com a patente de Capitão e Major, abriu-se para toda a Nação uma janela de esperança para um mundo melhor, mais desenvolvido, mais solidário e mais fraterno.

Mas ao fim de 40 anos deste evento apesar de muito se ter progredido nesses objectivos da nossa vida colectiva, muito falta ainda realizar para os concretizar.

Somos dos que entendemos que apesar de tudo o saldo é positivo, especialmente desde que, em 01.01.1986, aderimos à União Europeia (U.E.) então designada C.E.E..

De facto muito se avançou no domínio da realização das infraestruturas, indispensáveis ao desenvolvimento e ao progresso no domínio económico-social.

Construímos muitas escolas e hospitais, estradas e auto-estradas, pontes, portos e aeroportos, etc., etc., etc..

Mas regredimos em muitos sectores da nossa actividade económica, no sector primário desta actividade, com o abandono, nos últimos 20 anos, de todo o interior do País, da nossa agricultura, das nossas pescas e das nossas industrias, a troco de subsídios entrados pela porta da P.A.C. (Política Agrícola Comum), uma política totalmente errada porque suicida, e ruinosa para a nossa economia.

De facto a nossa agricultura e a nossas pescas, porque baseadas em métodos antiquados e artesanais, em vez de ter sido subsidiada a respectiva produção, com a aquisição dos equipamentos mais modernos e rentáveis e com adequada formação profissional, foi subsidiado o seu abandono, e o abate de mais de metade das nossas embarcações de pescas, apesar de termos a maior Z.E.E. (Zona Económica Exclusiva) de toda a União Europeia, e uma das maiores do mundo, isto é, um imenso mar por explorar.

Tal política, absolutamente absurda e irresponsável, obriga-nos a importar cerca  de 80% das nossas necessidades alimentares, e, na área das pescas, cerca de 70% do pescado que consumimos e a contribuir largamente para o desemprego de cerca de 800.000 trabalhadores e obrigou à emigração, de novo, de cerca de 300.000 nossos concidadãos em demanda de trabalho e de melhor qualidade de vida no estrangeiro.

Mas no nosso País, rico em recursos naturais, terra, mar e excelente clima, temos “gente” de elevada qualidade em todas as áreas, desde a das artes e dos desportos, à investigação cientifica, e às nossas Forças Armadas e de Segurança (GNR e PSP e outros) que fazem excelentes figuras e dignificam o nosso País, em todos os “teatros” a que são chamadas.

Todavia a nossa classe política fica muito áquem do que seria expectável, e em manifesta dessintonia  com o nosso Povo “profundo”.

A sua incompetência e a elevada corrupção têm sido as principais “chagas” que têm impedido um desenvolvimento harmónico, solidário e progressivo.

Porque os nossos governantes que se agarram “com unhas e dentes” aos seus cargos políticos, conseguidos normalmente por via da sua militância político-partidária, apoiada em dezenas de anos a “manipular” assembleias concelhias e distritais tudo fazem, por essa via, para alcançar os altos cargos dirigentes da Administração Pública sem  a correspondente competência e/ou qualificação profissional na sociedade civil e no mundo do trabalho.

O sistema gira, nestas circunstâncias, à volta de cerca de 10 ou 12 grandes escritórios de Advogados, com projecção internacional, de onde “saem” ministros, deputados e outros altos cargos da Administração Pública, para controlar e determinar toda a nossa vida colectiva, na sua maioria orientados por interesses particulares e/ou de grupo, que nada têm com os superiores interesses  nacionais, de que são exemplo paradigmático as tristemente  célebres PPP (Parcerias Público Privadas) extremamente ruinosas para o País, como é público e notório, mas extremamente benéficas para os clientes desses escritórios.

No meio de toda essa incompetência, falta de honestidade e sentido de Estado e de serviço público, tem-se destacado, pela positiva, desde o 25ABR.74, uma personalidade “grande” da nossa vida colectiva e pública.

Refiro-me concretamente a este cidadão exemplar, António dos Santos Ramalho Eanes, General do Exército, Doutor em Filosofia e Letras pela Universidade de Navarra, Presidente da República, durante dois mandatos, entre 1976/1985.

Ao longo dos anos tem-nos dado exemplos de grande dignidade, de sentido de Estado, com patriotismo, com sentido humanista, com honra, nobreza de carácter e  de humildade, sempre pronto a servir a causa pública e a defender os mais débeis económica e socialmente.

Como referiu, publicamente, há algumas semanas:

Podem até cortar-me mais na minha reforma mas não deixem nenhum dos nossos concidadãos a “passar fome”, conduta cívica em que é acompanhado pela Sua Excelentíssima Esposa, Drª. Manuela Eanes, com a sua notável obra a favor das nossas crianças mais desfavorecidas, à frente do Instituto de Apoio à Criança.

 

P.S.: António Martins Moreira escreve ao abrigo da antiga ortografia.

Ramalho Eanes

 

 

 

 

 

 

*António Martins Moreira, Colunista do Jornal de Vila de Rei e de Oleiros

Advogado

 

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