Por uma questão de Justiça

Por uma questão de Justiça

Quaisquer que sejam alguns dados positivos deste Governo, como o combate ao incumprimento fiscal que tomou contornos de perseguição; que não olha a danos colaterais como o fecho de Empresas e consequente desemprego, eles são anulados pela insensibilidade social que desde o início tem demonstrado pelos mais carenciados do país; a atitude do Primeiro-Ministro face à situação do povo grego, em que um terço das crianças daquele país passam a maior das privações de toda a Europa, vem demonstrar que quem defende a continuação da austeridade, contradiz uma Nação que sempre deu provas de solidariedade para com outros povos.

Por uma questão de Justiça é um tema que direta ou indiretamente nos afeta a todos nós; e ninguém a poderá colocar em discussão pública, sem se questionar qual a justiça que temos.

Portugal sofreu nos últimos 10 anos a maior devastação social de toda a Europa; abrindo um fosso assimétrico que nos colocou como o país mais desigual da União Europeia. Enquanto 1/5 dos portugueses (dois milhões) se encontram no limiar da pobreza, outros dois milhões e meio estão ao nível médio dos parceiros europeus; mas o mais escandaloso é que 5% da população portuguesa detenha uma concentração de riqueza equivalente aos restantes 95% dos portugueses; muito desse dinheiro foi levado para paraísos fiscais, agravando ainda mais a precária situação de muitos portugueses porque o dinheiro em fuga retira a rotatividade economica ao país, contribuindo para o desemprego e agravando a situação de pobreza das nossas crianças, que são as principais vítimas da austeridade; muitas delas revoltadas pelas injustiças de que são o principal alvo, serão no futuro um problema para a sociedade e a justiça.

Portugal descuidou ao longo dos anos, o que é mais importante no progresso de um país, que é a justiça; e foi por falta dela que o país caiu para a cauda da Europa, o que levou a que mais de 80 por cento dos cidadãos não acreditam na Justiça.

Num debate televisivo entre Juízes e Advogados em representação das suas classes, todos reconheceram as grandes falhas do sistema Judiciário, que se confronta diariamente com problemas de toda a ordem, onde a falta de meios é desmotivante; reconhecendo que quem não tiver meios para pagar a um bom advogado, está condenado a uma Via Sacra durante anos a caminho dos tribunais.

Ainda recentemente me deram conhecimento de um processo que se arrastou durante 4 anos e meio, o mesmo que num país com uma Justiça minimamente eficiente, não levaria mais que três meses a ser resolvido; e esta é também sem sombra de dúvida uma consequência da pobreza.

Era pressuposto que a nossa integração na Europa nos ajudasse a debelar este flagelo da pobreza, que teve o período mais negro nas décadas de 60 e 70; em que centenas de milhares tiveram que abandonar o país.

Sem iniciativas e coragem política para uma verdadeira mudança, a Justiça em Portugal continua embrenhada numa espessa bruma de difícil dissipação.

A exemplo dos gregos, os portugueses já não se revêem no atual governo; só que os primeiros marcaram a diferença, porque tiveram a coragem para o mudar; enquanto os segundos acomodaram-se nas instituições de caridade e na euforia do futebol; esquecendo os filhos e as mulheres em casa a clamarem por pão e JustiçaAusteridade

Do maior partido da oposição que exige uma maioria absoluta, pouco ou nada se pode esperar; com o seu Líder a proibir a circulação no centro de Lisboa a 80% dos portugueses, que nem sequer têm dinheiro para circular nos carros antigos que possuem; quanto mais para a aquisição de viaturas novas.  

* J. Vitorino, Diretor – Adjunto  

Jornalista    

 

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