No rescaldo de Paris

No rescaldo de Paris

Os atentados de Paris mostram-nos, mais uma vez, que algo está muito errado no mundo, não apenas do lado dos extremistas e seus fundamentalismos, mas também da forma como nos relacionamos com os outros que se encontram para além dos muros daquilo a que chamamos ocidente. Não nos podemos acomodar numa visão maniqueísta do mundo, separada entre os bons e os maus, pois o risco de nos colocarmos do lado dos bons é ficarmos cegos das nossas próprias distorções que muito contribuíram para esses mesmos desequilíbrios.

Os extremismos não nascem do nada, nem resultam apenas da interpretação errada de umas escrituras, nascem sim, dos ódios que são alimentados, das guerras que são perpetuadas, da imposição de políticas que visam o lucro de uns quantos na exploração de recursos que não nos pertencem.

Na verdade, nada temos feito para com esses povos que demonstre uma preocupação genuína e verdadeira com o seu desenvolvimento, com o seu bem-estar, com o seu direito a viverem em paz sem que tenhamos que impor a nossa visão do mundo como se esta fosse a única possível dentro da diversidade cultural e suas múltiplas sensibilidades.

Que esta reflexão seja feita por todos, para que juntos possamos reconhecer, na prática das nossas acções, o direito que esses povos têm, tal como os nossos, à liberdade, à igualdade e à fraternidade, respeitando as suas culturas, respeitando as suas fronteiras, respeitando cada ser humano nas suas diferenças.

Só assim os ódios poderão ser apaziguados na construção da verdadeira Paz.

Este é o tempo de parar e reflectir, de silenciar as vozes que em nós se expressam com o mesmo ódio e perceber que, esses outros, distanciados pelo olhar civilizado da nossa indiferença, também são humanidade como nós, com a mesma inteligência, com a mesma sensibilidade, com a mesma capacidade de AMAR.

Termino com uma palavra de uma tribo sul-africana: UBUNTU, que significa que tudo o que eu faço, sai de mim, tem impacto nos outros, no planeta e volta a mim.

Que a nossa acção seja, por isso mesmo, construtiva, compassiva, justa e tolerante, pois será isso que receberemos dos outros quando esses outros, que somos nós, nos olharem nos olhos e perceberem nestes o seu próprio reflexo.

No rescaldo de Paris

No rescaldo de Paris

Paz Profunda,
Pedro Elias

 

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