Turismo e políticas, por Eduardo Lyon de Castro

Turismo e políticas, por Eduardo Lyon de Castro

TURISMO E POLITICA(S)

Recentes declarações públicas de responsáveis pelo Turismo, quer a nível nacional, quer regional e mesmo local, apontam para a necessidade de encarar o fenómeno turístico como um setor da economia que se revela cada vez mais importante.

Por várias razões, verifica-se um notável incremento na preferência por Portugal, a que não será estranho a insegurança que se vive em vários países considerados destinos prioritários, a que acrescem com justiça, potencialidades reais do nosso país como o clima, as praias, a gastronomia e também a segurança até agora oferecida.

Turismo

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Sucede que, como em muitos outros domínios, existe uma assimetria nos benefícios que o Turismo oferece ao todo nacional que teima em manter num quase esquecimento cerca de dois terços do país. O relevante já não é o que representa o litoral, o Algarve e a Madeira. O preocupante é que se faz-ou não faz para equilibrar a situação ou seja que que politicas se executam para promover as valências do território nacional que está semiesquecido, semiabandonado, semidesertificado e também-é preciso dizê-lo-semidesconhecido.

Não se conhece nenhum relatório, uma estatística, um inquérito sobre esta situação, embora haja abundante especulação sobre as suas origens e consequências Que fique claro que não está em causa o sucesso obtido pelas regiões citadas, antes pelo contrário. O que se pretende é alertar para uma reflexão urgente no sentido de alterar uma situação que com algumas exceções mantem a referida assimetria.

Em nosso entender é na atual definição das regiões de turismo, na insuficiência das Associações Municipais, na falta de competência de algumas Associações de Desenvolvimento e em alguma paralisia dos municípios que reside o problema. E curiosamente todos confessam reconhecer que o turismo é um fator importante para o seu desenvolvimento. Mas uma coisa são afirmações avulsas e inconsequentes e outra é a decisão e a ação sem as quais as boas intenções e boas palavras não chegam.

O processo de promoção do conhecimento das inúmeras zonas e locais de interesse turístico do chamado interior não se consegue apenas pela realização de uns quantos eventos ou ainda pala prolixa publicação de roteiros, mapas e outras literaturas sem esquecer a net. É útil, é necessário, mas não é suficiente.

O desconhecimento do país pela grande maioria dos portugueses mantém-se e acentua-se. O ensino da geografia de Portugal tem de ser muito mais abrangente passando a incluir temáticas relacionadas com a sua paisagem e natureza, hábitos e tradições numa ótica global que provoque o desejo e a vontade de os jovens conhecerem o seu país. Depois as entidades que têm o dever e a obrigação de trabalhar de forma equitativa em benefício dos seus associados transformam por vezes os mesmos em segundas e terceiras categorias o que obviamente não é aceitável. Finalmente os últimos elementos da cadeia, os municípios, por falta de capacidade assertiva e reivindicativa não agem como devem na defesa dos seus interesses, o que na sociedade competitiva dos nossos dias é fatal

Faltam apenas quinze meses para as eleições autárquicas. As movimentações políticas, as estratégias dos candidatos e a formalização dos programas das diversas formações políticas já começaram. Bom será que a problemática do Turismo não seja esquecida, nomeadamente no que respeita ao interior do país.

Só ações devidamente concertadas podem resultar. Mas se tal não for possível o que seria lamentável, então que cada um tente “ a sua sorte”. Não é o desejável, mas será alguma coisa, que é melhor que coisa nenhuma.

Turismo em análise

Turismo em análise

  • Eduardo Lyon de Castro, Colaborador Especializado (Vila de Rei)
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