A maioria deserdada, por Joaquim Vitorino

 

Nenhum país europeu, trata os seus tão mal como Portugal; é uma triste realidade, que nos leva para o caminho do terceiro mundismo, não existindo na Europa por quem nos possamos nivelar.

A pobreza material arrasta os portugueses para a perda de outros valores, um drama a que a nossa economia não consegue responder; a Nação portuguesa foi tomada de assalto por gente sem escrúpulos, e os cidadãos já não sabem em quem podem confiar, aceitando a pobreza e os outros males a ela associados como uma inevitabilidade.

É um “culto adquirido” que vem viciando o nosso país, que por tudo e por nada vai bater à porta da Europa; que como resultado vai aumentando a dívida pública, e coloca Portugal cada vez mais na subserviência. A desonestidade, a ambição e a ganância, atingiram o coração do Estado; envolvendo muitos daqueles que por dever, o deveriam defender.

A “maioria deserdada” 75% da população está a dar-se como vencida, face às inúmeras dificuldades que as famílias portuguesas são confrontadas diariamente, onde a oferta de trabalho passou a ser quase inexistente. A emigração massiva é a única saída, que resulta de uma alta taxa de desemprego que está a bloquear a recuperação económica, provocando no país irremediáveis assimetrias sociais.

A República portuguesa enfrenta um grave problema, com os corruptos e incompetentes que se infiltraram no aparelho do Estado há várias décadas; não sendo fácil a qualquer governo por termo a esta calamidade pública, sem criar uma rutura com o seu próprio partido; para dar ênfase a este raciocínio, estão dezenas de processos mediáticos existentes; a que se somam diariamente outros que depois se arrastam até à prescrição; sendo sintomático do país que temos, e da justiça que nos defende.

Nos últimos anos foram arquivados centenas de milhares de processos, com o objetivo de descongestionar os tribunais, indo afetar mais de 15% da população; e à medida que chegam outros, serão arquivados na proporcionalidade dos que entram; tornando a justiça em Portugal num poço sem fundo.

A ministra da Justiça e o governo pouco ou nada podem fazer, porque chocam com interesses de grupos poderosos que se julgam acima do vulgar cidadão; estigmatizando este país numa “República das bananas” que há anos espera por um “Sebastião populista” de óculos escuros, para meter a casa na ordem. Estão enganados os portugueses que pensam ser esta a solução; porque já a ensaiaram há 40 anos e o resultado está bem à vista.

Os portugueses estão mais pobres e desprotegidos pela justiça e instituições, temos a mais alta taxa de emigração qualificada de todo o Mundo e a maior dívida per-capita; e quanto ao desemprego ao certo já nem sabemos quantos são: porque dezenas de milhares de desempregados já abandonaram a “Via Sacra” que é a procura de trabalho.

Portugal regrediu em padrões que são essenciais para o nosso desenvolvimento económico; onde se acentua uma grave falta de patriotismo e a fraca educação da nossa população; a Nação Portuguesa eclipsou numa única geração (25 anos), todo o prestígio e respeito acumulado ao longo de toda a sua existência; encontrando-se à beira de não retorno.

Sem uma justiça séria e isenta, nenhum país consegue atingir o desenvolvimento e a estabilidade económica que beneficie todos os seus cidadãos; sendo muitos dos privilégios que uma minoria alcançou, em detrimento da grande maioria dos portugueses.

Muitos dos nossos pobres, foram recentemente extraídos à classe média; não tendo coragem para estender a mão à caridade, eles perderam tudo com uma única exceção, que é a “dignidade” que ainda lhes resta.

Portugal precisa urgentemente de alguém, que tenha a confiança inequívoca dos portugueses; uma figura que consiga reunir tal perfil, terá que surgir da cidadania.

Joaquim Vitorino

Joaquim Vitorino

* Joaquim Vitorino, Jornalista

 

 

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