A caminho da extinção em massa, por Joaquim Vitorino

A caminho da extinção em massa, por Joaquim Vitorino

A Caminho da Extinção em Massa

O nosso habitat o Planeta Terra, está a caminho da extinção em massa, os Oceanos em declínio, os solos contaminados, e a poluição atmosférica deram sinais evidentes, de um desastre ambiental em curso de consequências imprevisíveis.

Biólogos e ecologistas de todo o mundo lançam um sério aviso; se não forem tomadas medidas urgentes, metade de todas as espécies da Terra podem desaparecer até ao fim do século XXI.

Este cenário negro, foi colocado durante uma Conferência que decorreu no Vaticano, sob a chancela do Papa Francisco, nos passados dias 27 de fevereiro a 1 de março. Biólogos e ecologistas de todo o mundo aproveitaram o evento para discutir como se pode evitar esta progressão fatal para a extinção.

No início do próximo século, enfrentamos a possibilidade de perder metade da nossa vida selvagem, foi um alerta lançado pelos biólogos que participaram na conferência promovida pelo Vaticano; entre os presentes no debate, estava o biólogo Peter Raven professor do Jardim Botânico do Missouri nos EUA; e um dos mais creditados participantes na conferência, que em declarações que fez ao Jornal The Guardian falou num contexto assustador, em que os humanos esquecem que só um “Mundo vivo” pode manter a sustentabilidade do nosso planeta.

As extinções que enfrentamos, colocam uma ameaça ainda maior à civilização, do que as alterações climáticas; pela simples razão de que são irreversíveis.

O problema é que o perigo não parece óbvio para a maioria das pessoas, e isso é algo que temos que acertar; avisou o professor Paul Elrich da Universidade de Stanford na Califórnia, também envolvido na Conferência, onde o alvo foram os países ricos, que estão a desviar os recursos do planeta, e a destruir o ecossistema a uma velocidade sem procedentes.

É uma enorme onda de destruição que estamos a construir; desde autoestradas através do Serengeti para facilitar o acesso a mais minerais terrestres raros para os nossos telemóveis, tiramos todos os peixes dos Oceanos, destruímos as barreiras de coral e deitamos dióxido de carbono para a atmosfera.

O homem está a despoletar “o grande evento de extinção”; é a questão que a conferência deixa no ar, e que esteve em destaque na Conferência realizada no Vaticano, depois de o Papa Francisco ter dado particular ênfase às questões climáticas no seu Pontificado.

A sobrevivência do mundo natural, e em última instância a nossa sobrevivência, depende da nossa “adoção de princípios de justiça na distribuição dos recursos, que levem a minimizar os danos climáticos para melhor sustentabilidade do ecossistema, é a aposta da Academia de Ciências do Pontificado, num documento divulgado no âmbito da Conferência.

A sustentabilidade requer o “cuidado da biodiversidade” que fornece os serviços, e que permitem à humanidade viver e prosperar.

O crescente aumento da população mundial e o impacto que isso acarreta para o ambiente, é um dos fatores de preocupação que estes biólogos evidenciam.

As estatísticas da ONU preveem, que a população mundial vai crescer dos atuais 7.4 mil milhões para os 11.2 mil milhões até 2100, aumento que se verificará em regiões como África.

Com as condições climatéricas a alterarem-se, e as catástrofes ecológicas e crises económicas subsequentes, bem como com a escassez de comida, imagina-se como a já atual problemática corrente migratória, pode atingir proporções assustadoras e incomportáveis.

Não existirá qualquer dúvida; que com 12 mil milhões de pessoas, a nossa civilização na Terra irá “colapsar”; permanecendo apenas uns milhares, que serão depois reduzidos a centenas de sobreviventes; até que, num futuro mais longínquo, a espécie acabar por se extinguir.

Olhando para os números, é mais que certo que para suportar a sustentabilidade da população Mundial, seria preciso um outro Planeta, para nos fornecer os recursos necessários para podermos suportar o dobro da população atual; e se todos consumissem recursos ao nível dos países do Ocidente, “seriam precisas outras quatro ou cinco Terras”.

Joaquim Vitorino (*)

extinção em massa

  • Joaquim Vitorino – Astrónomo Amador
  • Director – Adjunto

 

 

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