A civilização perfeita, por Joaquim Vitorino

A civilização perfeita, por Joaquim Vitorino

A Civilização Perfeita

Estamos nós a caminho de uma civilização perfeita?

Alguns Cientistas e Filósofos pensam que será esse o nosso desígnio, para no futuro atingirmos o centro da nossa Galáxia e nos expandirmos por todo o Universo; mas os humanos estão muito longe de alcançar o pináculo de uma sociedade perfeita até porque, estamos a regredir nesse objetivo enquanto aumenta o nosso desenvolvimento tecnológico.

Uma civilização perfeita, não implica que ela seja baseada na tecnologia que deu um salto enorme nas últimas décadas, mas tem contribuído para esgotar as reservas energéticas necessárias para um dia podermos partir para as Estrelas, em busca de um habitat semelhante à Terra para aí colocarmos a nossa espécie a salvo da extinção.

O Homem é um caso aparte da Natureza porque na Terra só ele a sabe entender; onde é pressuposto ter um papel determinante na condução do “programa” que envolve a nossa espécie, onde o Planeta Terra teria sido a escolha como incubadora do homem há muitos milhões de anos. Estas são as questões que a filosofia nos seus variados campos tem colocado, para irmos ao encontro de muitas perguntas que ainda não tiveram resposta; onde a mais relevante de todas seria um dia compreendermos quem somos e porque fomos “selecionados” sendo nós dos últimos a aparecer na escala da evolução.

Provavelmente o homem terá recebido algumas mensagens, quando começamos a abandonar as “Grutas do Lago Tanganica” e seguimos em todas as direções do Globo terrestre; mas por algum motivo ainda não estamos à altura de as receber, ou porque frustramos as espectativas depositadas em nós, ou não evoluímos como inicialmente estaria previsto.

Em filosofia determinista nada nas nossas vidas é fortuito, porque tudo o que acontece não será um mero acaso; não sendo de excluir que barreiras nos tenham sido colocadas, pelo que tivemos de passar ao plano seguinte para atingirmos metas e objetivos que no primeiro não conseguimos cumprir.

É provável que não fossemos inicialmente incluídos no ”programa” e que tenhamos surgido após um imprevisto dano colateral; tendo eventualmente a nossa evolução vindo a ser controlada, face ao perigo que representamos para as outras espécies e nós próprios.

Desde que abandonou as cavernas no Vale do Rio Tanganica, o homem tem deixado grandes estragos por onde passa; sendo o Século XX o mais marcante de toda a sua história, onde mais de 300 milhões morreram vítimas de conflitos ou em consequência deles; o que talvez tenha rompido com a confiança que foi depositada no homem quando este foi adotado.

Digo adotado, porque quando surgimos já a vida existia no Planeta há mais de 1000 milhões de anos, e o homem surgiu de um processo evolutivo que teve início após a queda do Grande Cometa no Yucatán ( Golfo do México ) há 65 milhões de anos; e quando aparece há 1,5 milhões de anos, constituiu de imediato um perigo para si próprio e para as outras espécies. Ainda hoje predominam marcas inconfundíveis da sua passagem pelas cavernas, que se manifestam pelo ódio e intolerância entre grupos, e mais tarde entre cultos e religiões que chegaram até aos nossos dias e que nem os próprios sabem o porquê, de terem sido por elas arrastados.

Se é pressuposto que o homem tenha algum objetivo ou missão a cumprir, então terá que trilhar um longo caminho para chegar a uma “Civilização Perfeita”; onde a Igualdade, a Fraternidade e a Solidariedade seja o mote que o Homem levará quando partir para as Estrelas, para salvar a sua espécie se for esse o “seu desígnio”.

É preciso que as escolas de todo o Mundo comecem a ensinar as crianças de que existe apenas “Um só Deus” e que as religiões são todas verdadeiras não obstante, cada um dos 7000 milhões de humanos as imaginarem de maneira diferente; e que nunca chegará junto a DEUS, aqueles que matam em Seu nome.

Se refletirmos no avanço da tecnologia dos últimos 70 anos, compreendemos que os humanos se encontrem numa fase de transição comportamental; com avanços e recuos, onde a razoabilidade está a perder terreno, com todas as consequências dos muitos conflitos existentes no Globo com origens territoriais e religiosas.

Existem evidências, de que o homem pode estar a viver a última e derradeira civilização na Terra, não obstante ter atingido um nível tecnológico surpreendente; mas ainda não conseguiu conciliar-se com a Natureza e vive permanentemente em conflito com os da sua espécie; e também com os outros animais que connosco coabitam. 

A civilização perfeita

Algumas das civilizações que nos procederam, não conseguiram atingir o nível tecnológico da atual; no entanto, algumas sobreviveram milhares de anos.

Os próximos 75 anos vão ser determinantes para a sobrevivência da espécie humana; onde a escassez energética e alimentar irá colocar um grande desafio à nossa capacidade e inteligência, para pacificar o Planeta no campo religioso e político; onde será mais que provável, a adoção de uma nova ordem económica Mundial para poder retirar da pobreza extrema, metade da população terrestre, que será em 2050 cerca de 11.000 milhões.

  • Joaquim Vitorino – Astrónomo Amador
  • Director – Adjunto
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