Venezuela – Os Títulos da Fome, por Mendo de Castro Henriques

Venezuela – Os Títulos da Fome, por Mendo de Castro Henriques

Venezuela – Os Títulos da Fome

Mendo Castro Henriques

 

A Goldman Sachs comprou por US $ 865 milhões ao BCV (Banco Central da Venezuela) $ 2,8 biliões de títulos da PDVSA (Petróleos da Venezuela). São os “títulos da fome”, devido à crise humanitária que o país atravessa.

Com estas compra, a GS está a financiar um governo conhecido por ser ditatorial, antidemocrático, repressivo, corrupto, e que pratica o tráfico de drogas; nesta fase, nem governo nem oposição ajudam, como lembrou o Papa Francisco e o Grupo de contato de ex-presidentes hispânicos.

A oposição venezuelana desencadeou uma tempestade de protestos sobre um negócio controverso, acusando a GS de comportamento antiético e oportunista. Os especialistas financeiros falam da volatilidade e risco do mercado de títulos emergentes

A GS justificou-se assim: “Investimos nos títulos PDVSA porque, tal como muitos na indústria de gestão de ativos, acreditamos que a situação no país irá melhorar”. O Governo venezuelano considerou normal entrarem US $ 865 milhões no bolso dos comparsas de Maduro.

Afinal, Capitalismo e Socialismo sempre estiveram de mãos dadas neste tipo de falcatruas. São praticadas na América do Sul – e não só – pelos bancos ingleses e norte-americanos há mais de cem anos. Antes, quando novos governos repudiavam os empréstimos, enviava-se uma canhoneira e tomava-se conta das alfândegas. Podia resultar em comédia como nas revoluções do coronel Tapioca e do General Alcazar do Tintim. Ou então em sangue como na revolução mexicana e agora na vnezuela.

Será surpreendente constatar que o melhor desempenho do mundo em 2016 com o mercado de ações foi a Venezuela? o índice do mercado passou de 11.700 no Verão de 2016 para 72.700 na semana passada.

Esta subida comprova a lição dos amorais gurus da Bolsa que compram quando o pessimismo é máximo; comprova a instrução do banqueiro Rothschild em tempos mais crus “Comprar quando há sangue nas ruas”.

A cumplicidade da Goldman Sachs no mundo financeiro é evidente. Mas a GS faz pior do que violar o seu próprio código de conduta pública que fala de equidade e a transparência. A GS segue à risca o seu próprio código de conduta secreto e predador.

Esse código remonta às guerras napoleónicas, quando os Rothschilds se aproveitaram da derrota de Waterloo para comprar durante o pânico. A GS segue essa tradição, e por isso é o maior acionista da Reserva Federal.

Os numerosos discípulos da GS estão colocados nos santuários governamentais para ir controlando resultados. Como o norte-americano Secretário do Tesouro. Como Barroso, a dar acesso ao mundo político

Quando a moral é maquiavélica, quando se diz que “os fins justificam os meios”, é melhor ir para casa ver televisão, como fazem os conformistas. Não vale a pena procurar moral no mundo financeiro. Não existe.

Mas existe mundo para além do mundo financeiro.

Estamos no séc. 21
Tem que haver fronteiras entre decisões de investimento e considerações éticas na indústria financeira.

No futuro, os investimentos semelhantes aos da GS terão que vir a ser considerados como os realizados em cartel de drogas, organização terrorista, ou estado ditatorial como o ISIS.

Essa atitude de cidadania ira ter um dia que ser legislada. Comecemos já a trabalhar por isso.

Mendo Castro Henriques

  • Mendo Castro Henriques, Colunista Especializado do nosso Jornal
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