A Terra, um planeta turbolento, por Joaquim Vitorino

A Terra, um planeta turbolento, por Joaquim Vitorino

O Planeta Enfurecido

Portugal foi em 2017 devastado pelos incêndios de verão; deixando para trás um rasto sinistro de 111 vítimas mortais, e a maior área ardida de que há memória no nosso país.

A Terra está a transformar-se num Planeta enfurecido; o processo foi desencadeado e será extremamente difícil de travar, porque os países com grande peso industrial e que dariam o maior contributo para atenuar o “Holocausto do Ambiente” que se aproxima, não estão dispostos a sacrificar as suas políticas de crescimento, que estão inevitavelmente ligadas à agressão do nosso Habitat.

O “Berço do Homem” está a ser vítima de uma feroz violação; não só a atmosfera que respiramos e os solos que nos alimentam, mas sobretudo a poluição dos Mares e Oceanos, que estão a ser desventrados para a extração de crude e outros minérios, para alimentar os formigueiros humanos e uma civilização sem regras nem planeamento demográfico; tudo em nome de um “falso benefício” que não se compadece com o ecossistema global.

Existem situações que já não têm retrocesso, como as dezenas de milhares de outras espécies que levámos à extinção e que não falam nelas, porque somos todos culpados pelo seu desaparecimento. Sacrificámo-las em nome do desenvolvimento tecnológico, que não levou em conta os danos colaterais causados pelas três revoluções industriais; em que a primeira já começou há mais de 300 anos. As cheias no centro da Europa e no Reino Unido provocadas pela tempestade Eleanor, são só pequenos indícios do que nos espera. Alguns povos no Norte de Africa são fustigados com secas prolongadas, e enfrentam grandes dificuldades no abastecimento de água, sendo apenas o princípio do que está para vir se não houver uma viragem na persistente utilização do plástico e combustíveis fósseis, que são os principais agressores do ambiente. O degelo nos polos, indiciam que Nações inteiras terão que sair das suas fronteiras para fugir à subida das águas que irá provocar uma alteração climática a nível global; onde o abastecimento e produção alimentar serão muito penalizados. Noutros locais, a escassez da água obriga as populações a fixarem-se à beira dos grandes rios, que em pouco tempo serão poluídos e as suas águas contaminadas; obrigando a consecutivas deslocações de povos que serão “empurrados para guetos dentro dos seus próprios países” onde inevitavelmente acontecerão lutas pela sobrevivência; que como consequência haverá violação dos direitos humanos, que nestes casos extremos serão palavra morta.

Os cientistas sabem o que têm pela frente e lançaram o alerta, mas pouco mais podem fazer porque não têm poder decisório para tentar inverter o mal que está feito; mas que ainda poderia ser atenuado, se as grandes potências o decidirem porque a escolha será simples; ou contribuem para a salvação do Planeta Terra e o futuro dos seus povos cumprindo os últimos acordos de Paris sobre o clima, sabendo que a catástrofe que estão a provocar levará ao desaparecimento da espécie humana.

A NASA e a ESA estão a unir os esforços, para continuarmos por aqui mais uns milhares de anos; até conseguirmos tecnologia para sairmos em busca de um outro planeta com as condições mínimas para podermos dar continuidade à espécie humana.

Um fenómeno de que poucos cientistas falam, são os “Sinkholes” (buracos no solo) que estão a aparecer um pouco por toda a parte, em que uma das causas pode ser o desventrar contínuo da crosta terrestre em busca de minérios e petróleo; que pode causar abatimento de terras em grande escala, sendo no fundo dos mares e Oceanos o mais preocupante; pois pode originar marmotos que levarão à destruição de Cidades costeiras com milhões de habitantes.

Nunca existiram no Planeta tantas zonas em risco e outras com danos irreversíveis; limitar os estragos é tudo o que se pode fazer e terá que ser quanto antes, onde as mentalidades terão que mudar 360 graus para remediar um pouco o mal que já foi eito, pelo que vamos aguardar o que se vai decidir em reunião de emergência sobre o clima, que está a ser agendada pelas Nações Unidas.

Vivemos numa civilização do plástico que leva milhares de anos para se degradar, e andamos em carros e vestimos roupas também de plástico; e passamos em breve a viver do plástico que compõe as lixeiras oceânicas e em terra; que levará inevitavelmente a que no futuro, também será de plástico a nossa alimentação.

* Joaquim Vitorino, Director

Astrónomo Amador

Joaquim Vitorino, Director

Sink Hole

A Terra, um planeta turbolento

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