EDITORIAL – A hora de agir

EDITORIAL – A hora de agir

A Hora de Agir

Foram as palavras ditas pelo Presidente eleito do PSD; que não hostilizou a atuação do atual governo, mas constituiu-se como uma alternativa democrática e responsável, para retirar Portugal da injusta e inaceitável situação de pobreza, em que a maioria da população se encontra.

Os portugueses são um dos três povos mais pobres e subdesenvolvidos da Europa; e nos últimos 7 anos tiveram que pagar 13.000 milhões de euros de prejuízos da banca privada, colocando o nosso país numa rota de pobreza de longa duração; mas esta será apenas uma das muitas causas com que podemos identificar o ciclo de pobreza que atingiu Portugal, quando estavam reunidos todos os condicionalismos para termos saído dela.

O Líder dos (Sociais Democratas) Rui Rio, deixou no discurso de vitória uma ténue esperança para por fim à assimetria social que atingiu os portugueses; onde as principais vítimas são as nossas crianças e idosos. A situação económica não obstante alguns indicadores recentes, continua a ser bastante débil; é preciso que se fale aos portugueses com toda a clareza, para que não fiquem entorpecidos pela notícia de que estamos a sair da crise. Os dados seriam animadores se fossem baseados num crescimento sólido, com garantia inequívoca da sua continuidade; mas a nossa economia está muito condicionada pelos elevados juros da dívida pública, a que se juntam problemas estruturais, e com um investimento do Estado praticamente nulo; mesmo assim, o governo tenta distribuir mais do que produz por exigência dos partidos indispensáveis à maioria de esquerda.  

Portugal sustentou o esforço de uma guerra no ultramar durante 14 anos, sem recorrer a este escandaloso endividamento; tendo forçosamente que existir uma razão que justifique esta galopada do recurso à divida, incomportável para um país que não tem um crescimento sustentável. As nossas Universidades estão a formar quase exclusivamente para a emigração, deixando o país mais pobre em literacia, e enfraquecendo a reposição demográfica que atingiu um nível alarmante; onde no interior do país existem 300 pessoas idosas por cada 100 crianças e jovens no seu conjunto.

Portugal continua em fuga; e o recurso à emigração é a única saída para muitos portugueses, que também transmitem aos filhos e netos que será este o seu futuro próximo.

Rui Rio disse e muito bem; que se não ganhar as próximas eleições encara a possibilidade de viabilizar um governo do PS, se for em benefício de todos os portugueses; acabando assim com a coligação de esquerda para que o país descole da pobreza, e para que Portugal possa cumprir os seus compromissos. Muitos portugueses tiraram benefícios da calamidade social a que o país chegou; e a crise económica e financeira não foi a causa única da situação a que chegámos; sendo a mentalidade consumista que se enraizou na nossa sociedade de difícil inversão, porque passou muito tempo ao lado de quem a poderia ter corrigido.

Nos últimos anos, assistimos a uma vaga de fortunas meteóricas inexplicáveis; algumas delas os seus detentores passaram pelo exercício em cargos públicos, enquanto a maioria dos portugueses chega ao fim do mês a contar os cêntimos dos miseráveis vencimentos que auferem.

Vou deixar aqui um exemplo de uma verdadeira democracia; a Holanda tem mais 5 milhões de habitantes que Portugal, sendo um dos países mais ricos da União Europeia, tem 150 deputados versus 230 da Assembleia da República portuguesa; 60% dos seus membros deslocam-se de bicicleta para o Parlamento, e os restantes por meios próprios.

A Constituição portuguesa está cheia de imprevisibilidades; porque se assim não o fosse, as funções cumulativas com a de deputado nunca se justificariam; sendo a última tentativa de financiamento dos partidos injusta, inadequada e inoportuna face à situação em que vive a esmagadora maioria dos portugueses.

O Dr. Rui Rio (novo Líder do PSD), poderá ser uma esperança para que Portugal cumpra com os seus cidadãos o que eles esperam de uma verdadeira democracia; talvez que para isso, tenha que ser alterada a Constituição da República; o que no quadro político atual é de todo impossível, porque choca com muitos dos interesses de quem a poderia rever.

Rui Rio, Presidente do PSD

O atual regime bloqueou-se e empobreceu na Constituição que defende; não deixando espaço à cidadania e a outras alternativas, como é o caso do Artigo 288 – alínea B que deveria ser anulado ou revisto.

 

 

 

 

 

* Joaquim Vitorino

Director

Joaquim Vitorino, Director

 

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