“Os passaros ainda voam sobre a terra queimada”, por Vitor Norte

“Os passaros ainda voam sobre a terra queimada”, por Vitor Norte

“Os pássaros ainda voam sobre a terra queimada”

No mar navegam as fragatas; no ar voam pássaros, aviões e helicópteros, e na terra queimada uivam os cães de fila.

Numa sociedade, em que passaram a venerar os animais como sendo pessoas, fico de pé atrás em relação a essa comparação; pois infelizmente ou felizmente, ainda prefiro os humanos; mesmo que alguns deles sejam uns “sacanas”.

O Polvo, ajudado pelos seus chocos lacaios e pelas potras lulas e derivados
estica os seus tentáculos por todo o nosso Portugal, agarrando com toda a força as riquezas mais apetecíveis.

Povoações desertas de habitantes, de turistas, de gentes, terras a cair e searas ao relento. As arvores outrora imponentes, estão queimadas e a tombar, como quem derruba um gigante. A floresta está em perigo, pois os usurpadores irão levar aos poucos o que ainda deixaram ligado à terra.

Afinal o fogo não se combate com água! E até me atrevo a afirmar que também sou um dos responsáveis pela desertificação anunciada do nosso país.

Eu, e todos aqueles que ainda temos hectares de terrenos plantados com eucaliptos, que temos os terrenos divididos em avos, medida que foi fruto das divisões gananciosas de heranças ao longo de várias gerações.

Somos nós que ainda pagamos impostos por terrenos abandonados, que negamos o abate das árvores para a construção de caminhos que possibilitem a passagem dos meios de combate aos incêndios.

Por isso peço desculpa às vítimas e todos os seus familiares, aos bombeiros, e a todos os profissionais envolvidos no combate aos grandes incêndios; pelo abandono e desorganização do parque florestal, que provocou e continuará  a provocar vítimas inocentes.

Vitor Bom Norte

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