Biografia de Sua Alteza Real D. Maria Pia de Bragança

Biografia de Sua Alteza Real D. Maria Pia de Bragança

Biografia de Sua Alteza Real D. Maria Pia de Bragança

  1. Maria Pia de Bragança foi uma famosa escritora e jornalista portuguesa, que escreveu com o pseudónimo de Hilda Toledano; também ficou conhecida em toda a Europa, como Sua Alteza Real a Princesa D. Maria Pia de Saxe-Coburgo Gotha duquesa de Bragança; títulos com os quais se sustentou no texto das Cortes de Lamego, alegando sempre ser a legítima rainha de Portugal.
  2. Maria Pia a legítima duquesa de Bragança até à sua morte em 1995, nasceu a 13 de março de 1907 na Avenida da Liberdade, freguesia do Coração de Jesus em Lisboa; e era uma filha de uma relação extraconjugal entre o rei D. Carlos I de Portugal e D. Maria Amélia de Laredó e Murça, natural de Cametá no Estado do Pará no Brasil; filha do conhecido barão da borracha D. Armando Maurício Laredó e de D. Maria Amélia Murça e Berhen.
  3. Maria Pia de Bragança, por se tratar de uma filha bastarda de um monarca reinante, foi levada por razões de segurança para a Capital espanhola quando ainda não tinha um mês de idade; sendo batizada no dia 15 de abril de 1907, na paróquia de Carmen y San Luis na Diocese de Madrid-Alcalá. O seu registo de batismo original, incluía a cópia de uma carta de reconhecimento, que fora escrita e assinada pelo próprio rei, D. Carlos I de Portugal no Paço das Necessidades no dia 14 de março de 1907 (o dia seguinte ao do nascimento da menina). Nessa carta o monarca português reconheceu-a plenamente como sua filha, a fim de poder gozar de todas as honras, prerrogativas, proeminências, obrigações e vantagens dos Infantes da Casa de Bragança de Portugal. O original da carta ficou guardado nos arquivos do rei Afonso XIII de Espanha, que viria a ser o protetor de D. Maria Pia de Bragança nos seus primeiros anos de vida, sempre baseado na carta régia de reconhecimento paterno; e insistiu sempre para que ela defendesse os seus direitos de sucessão ao trono de Portugal.

O registo de batismo ficou arquivado na Igreja de San Fermín de Los Navarros, construída em 1884 e incendiada durante a revolta popular de 19 de julho de 1936, quando teve início a Guerra Civil Espanhola.

Devido ao incêndio, os registos paroquiais desapareceram para sempre; mas foram gradualmente reconstruídos graças aos atestados e certidões guardadas pelos interessados e seus familiares.

Certidão de baptismo (1939) em espanhol

Em 1939, o vigário-geral da Diocese de Madrid-Alcalá emitiu um certificado de batismo para D. Maria Pia de Saxe-Coburgo Gotha de Bragança, com as informações que lhe foram fornecidas por D. António Goicoechea y Cusculluela membro do Parlamento espanhol, e pelo governador do Banco de Espanha, que tinham estado presentes no ato do batismo; ao qual também, terá assistido o tio da menina  Príncipe D. Afonso de Bragança Duque do Porto irmão do rei D. Carlos I, e o ministro plenipotenciário Alfredo Aquiles Abecassis Monteverde «conde de Monteverde», que teria sido convidado pelo monarca português para que fosse o padrinho da criança. O facto do assento de batismo não conter uma procuração do pai da criança ao conde de Monteverde constituiu uma prova segundo o Supremo Tribunal de Justiça, da ausência de relevância do dito assento. No entanto este certificado batismal validado pela Santa Sé, foi continuamente utilizado como prova na reivindicação de D. Maria Pia de Bragança enquanto filha do rei D. Carlos I.

Este registo, foi inscrito no livro de nascimentos da 6ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa, por ordem expressa do conservador no dia 23 de abril de 1975.

Devido aos assassinatos do rei D. Carlos I de Portugal e do príncipe real D. Luís Filipe de Bragança, ocorrido no dia 1 de fevereiro de 1908 e que ficou conhecido como «o Regicídio», só restaram como herdeiros diretos os dois filhos mais novos do monarca; S A R o infante D. Manuel de Saxe-Coburgo Gotha e Bragança Duque de Beja, que subiu  na sucessão dinástica passando diretamente a rei de Portugal; e a meia irmã S A R  infanta D. Maria Pia de Saxe-Coburgo Gotha e Bragança, que devido às mesmas circunstâncias inesperadas subiu também um grau na linha de sucessão dinástica, passando de infanta a Princesa Real de Portugal e duquesa de Bragança.

No dia 16 de junho de 1925 com apenas dezoito anos, a jovem Princesa D. Maria Pia de Saxe-Coburgo Gotha e Bragança, contraiu o seu primeiro casamento com Francesco Javier Bilbao y Batista; um cubano de Camagüey proveniente de famílias ricas, vinte anos mais velho do que ela.

Tendo em conta que Francesco Bilbao era já divorciado o primeiro casamento de D. Maria Pia foi apenas de natureza civil, e decorreu numa embaixada em Paris. Do casamento nasceu apenas uma filha, D. Fátima Francisca Xaviera Iris Bilbao de Saxe-Coburgo Gotha e Bragança (Madrid, 16 de novembro de 1932 – Lisboa, 13 de setembro de 1982), que na maioridade abdicou de quaisquer direitos dinásticos e tornou-se freira num convento da capital portuguesa. D. Maria Pia de Bragança viveu durante pouco tempo com Francesco Javier Bilbao y Batista em Cuba, tendo depois regressado a Espanha; Francesco faleceu quase de seguida a 15 de novembro de 1935 na sua casa de Camagüey.

Para escapar à Guerra Civil Espanhola, D. Maria Pia duquesa de Bragança mudou-se com a sua primeira filha para Roma em 1939, e precisamente no dia em que é declarada a Segunda Guerra Mundial, casou com o Coronel Giuseppe Manlio Blais um distinto oficial dos carabineiros. Os oficiais dos carabineiros estavam interditos de se casarem com estrangeiras, pelo que o seu casamento foi celebrado na total clandestinidade; e só foi registado civilmente no dia 5 de agosto de 1946 já com a guerra terminada, e o Coronel Blais promovido a General. Desta união tiveram uma filha D. Maria da Glória Cristina Amélia Valéria Antónia Blais de Saxe-Coburgo Gotha e Bragança, nascida a 28 de julho de 1946 em território português. D. Maria Cristina Blais de Bragança casou-se com o famoso escultor espanhol Miguel Ortíz y Berrocal e foram viver para Verona. Tiveram dois filhos; D. Carlos Miguel Berrocal de Saxe-Coburgo Gotha e Bragança (nascido em 1976) e D. Beltrão José Berrocal de Saxe-Coburgo Gotha e Bragança (nascido em 1978). O General Blais faleceu em 1983 e em 1985, a Princesa D. Maria Pia duquesa de Bragança contraiu o seu último matrimónio, com o português António João da Costa Amado Noivo (28 de janeiro de 1952 – 29 de dezembro de 1996) o qual residia em Londres.

Princesa Maria Pia de Saxe – Coburgo Gotha e Bragança

 

Na década de 30, D. Maria Pia começou a sua carreira jornalística em Madrid, tendo particular êxito quando foi a Havana entrevistar o ditador Fulgêncio Baptista, que viria a exilar-se em Portugal Estoril, tendo direito a uma série de artigos publicados em dois grandes jornais espanhóis, Blanco y Negro e ABC; estando também por sua conta própria, como jornalista correspondente em Marrocos; tendo-se envolvido em diversas polémicas que chegaram a ser notícia na imprensa internacional.

Em 1937 D. Maria Pia de Bragança escreveu o seu primeiro livro; La hora de Alfonso XIII (A Hora de Afonso XIII), publicado em Havana Cuba pela UCAR Garcia y Compañía; este trabalho, foi escrito em espanhol e publicado sob o pseudónimo de “Hilda de Toledano”; é uma acérrima defesa do rei Afonso XIII de Espanha que foi viver para o exílio.

Em 1954 D. Maria Pia de Bragança escreveu Un beso y nada más (Um beijo e nada mais; publicado em Madrid pela Plenitud. Este trabalho também foi escrito em espanhol, e publicado sob o pseudónimo “Hilda de Toledano”; é um romance com forte inspiração, sobre determinados incidentes da vida pessoal da autora.

Em 1957, D. Maria Pia de Bragança escreveu Mémoires d’une Infante vivante (Memórias de uma Infanta viva), publicado em Paris por Del Duca.

Este trabalho, foi escrito em francês e publicado sob o nome de Maria Pia de Saxe-Cobourg Bragance, e trata-se da sua autobiografia. A obra marcou a primeira tentativa, da duquesa de Bragança receber o reconhecimento generalizado do público, de que ela era a filha legitimada do Rei D. Carlos I de Portugal. No livro a princesa D. Maria Pia de Bragança, não fez qualquer reivindicação de direitos dinásticos e sugeriu, que o legítimo herdeiro do trono português deveria ser a princesa D. Isabel de Orleães, filha mais velha de Henrique o Conde de Paris e de D. Isabel de Orleães e Bragança a princesa do Brasil; até 1957 D. Maria Pia de Bragança não fez qualquer reivindicação, quanto ao facto de ser a legítima rainha de Portugal “de jure”, em sucessão a D. Manuel II filho de D. Carlos I e seu irmão, o qual faleceu sem filhos em 1932.

A 15 de julho de 1957, um grupo de monárquicos portugueses liderados por João António da Costa Cabedo na qualidade de «legitimistas constitucionais», dirigiu uma petição à princesa D. Maria Pia de Saxe-Coburgo Gotha duquesa de Bragança, pedindo-lhe que reivindicasse o trono português.

São conhecidas algumas reuniões no estrangeiro, entre D. Maria Pia de Bragança e o Dr. Mário Soares e também separadamente com o General Humberto Delgado, a quem apoiou à Presidência da República em 1959; e que seria assassinado em Villanueva del Fresno na fronteira entre Portugal e Espanha?..

Joaquim Vitorino, Director

  • Joaquim Vitorino – Director
  • Defensor do Nome, Honra e Honorabilidade de S A R D. Maria Pia de Saxe-Coburgo Gotha e Bragança.
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