CTT podem fechar em Vila de Rei

CTT podem fechar em Vila de Rei

Vila de Rei: Única Estação CTT no concelho anuncia encerramento

. Uma privatização que nunca deveria ter acontecido

A única estação dos CTT em Vila de Rei vai encerrar portas, anunciou hoje Ricardo Aires, presidente da Câmara Municipal, na reunião do executivo camarário.

A informação do encerramento da estação dos correios abriu a reunião de Câmara de hoje. O executivo demonstrou o seu descontentamento pela situação uma vez que a estação é a única no concelho e dá resposta a mais de 1500 pessoas distribuídas por Vila de Rei.

Luís Santos, vereador da oposição (PS,) solicitou ao executivo de maioria PSD que fossem encetadas todas as ações e meios para evitar o fecho daquela estação.

À margem da reunião, Ricardo Aires afirmou que a Câmara tentou perceber o motivo que esteve na origem do anunciado encerramento, tendo o gestor dos CTT alegado “pouco movimento e poucos clientes”.

O autarca disse à Antena Livre que o gestor se comprometeu a não encerrar o espaço até que um privado abra um posto CTT. “O que ficou acordado é que a estação só seria encerrada quando abrisse um posto em qualquer estabelecimento comercial. No entanto, eu sei qual é a diferença de um posto para uma estação CTT, é que muitos dos serviços se vão perder e deixam de ser prestados”, lamentou Ricardo Aires.

O presidente referiu que o gestor dos CTT chegou a perguntar se a Câmara poderia assumir o serviço, ao que o presidente disse que não.

Os CTT “são uma empresa privada e não é a Câmara que vai assumir o serviço. Qualquer dia, um espaço fecha e é a Câmara que tem de assumir, não pode ser”, vincou o autarca, acrescentando que “o problema está nos CTT e não está na Câmara Municipal. A Câmara Municipal tem o seu ambiente de trabalho público e fazemos o que temos de fazer. Aquele espaço é de uma empresa e é privado. Nós somos uma entidade pública, que não tem nada de se estar a substituir a um privado”, considerou.

Reunião de Câmara de hoje onde foi anunciado o encerramento da estação CTT

Questionado sobre a existência de algum privado que possa vir a dinamizar um posto CTT no concelho, Ricardo Aires disse não ter conhecimento de alguém interessado e alertou que o serviço vai ficar comprometido ao nível da qualidade que é hoje garantida. “O serviço de qualidade prestado pelos CTT vai-se perder, porque caso o posto abra numa pastelaria, num café, ou noutro local qualquer, a qualidade irá perder-se”, fez notar.

“O que mais me preocupa são os idosos. Os jovens hoje em dia têm outras ferramentas de trabalho para alcançar certos serviços, apesar de haverem ainda alguns serviços que têm de ser realizados na estação dos correios. Contudo, os idosos serão sempre os principais prejudicados se este encerramento se concretizar”, considerou o autarca.

Por último, o presidente avançou que já endereçou uma carta ao Primeiro Ministro e ao Presidente da República a relatar a situação e a demonstrar o seu descontentamento. “O Governo está sempre a dizer que está a potenciar o desenvolvimento do interior, contudo vê-se os CTT a fechar, o Gabinete de Inserção Profissional a fechar e amanhã será mais alguma coisa a fechar, assim é impossível o interior do país dar o salto, conforme o Governo diz e faz crer na televisão”, vincou o presidente.

 

A estação de Vila de Rei é propriedade dos CTT e tem um posto de trabalho alocado ao serviço de atendimento. As estações mais próximas estão nos concelhos de Sertã, Sardoal e Abrantes.

Recorde-se que a 5 de fevereiro de 2018, o administrador executivo dos CTT António Pedro Silva garantia que a empresa “não ia abandonar as populações” e sublinhava que esta estava “empenhada em encontrar soluções” com autarquias e privados de forma a garantir o serviço.

“Não vamos abandonar as populações. Estamos empenhados em encontrar as melhores soluções, em diálogo com os autarcas, para que as estações estejam junto das populações, o que faz parte da nossa cultura”, referia António Pedro Silva numa altura em que foi anunciada a criação de 19 postos CTT.

  • Com Antena Livre e a devida vénia.
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