Por uma Espanha unida

Por uma Espanha unida

Por uma Espanha unida

A estabilidade política em Espanha é fundamental para a recuperação económica desse grande país; Portugal tem todo o interesse que isso aconteça para que ambos Estados, possam recuperar o atraso, provocado pela prolongada crise, que foi sentida muito particularmente nos países do sul.

Após um longo período franquista, o rei Juan Carlos teve uma difícil missão de unir a Espanha; foram 39 anos de recuperação económica e de unidade do povo espanhol que em parte a ele se deve; a seguir, o ato de abdicar a favor do Príncipe Filipe foi de elevado Patriotismo e clarividência política.

A Catalunha está na vanguarda e anteriormente o País Basco, no despertar dos ímpetos de independência; dizem-se ser mais produtivos, e acusam a coroa de despesismo mas não passa de um falso argumento; deviam refletir no que se passa nos outros países do sul da Europa, em que regimes republicanos empobreceram os seus povos e destruíram ou não souberam conservar, o que levou centenas de anos a conseguir.

A exemplo; hoje sabemos que a entrada na União europeia não retirou Portugal e outros países da pobreza, e em alguns até agravou a situação, com pesada austeridade em que na maioria dos casos culminou com uma enorme dívida pública; como é o caso grego, português e italiano; uma situação que a Espanha conseguiu evitar, poupando às gerações futuras a injustiça de as ter que pagar.

Portugal e a Grécia que visitei recentemente, têm os índices de corrupção dos mais elevados da União Europeia; tendo a pobreza e também a ambição pessoal como principal fonte contaminadora, onde é quase impossível em economias débeis contrariar este cancro social, porque já criou raízes de difícil reversão; a Espanha é dos países do sul com menos corrupção, e com a agravante de que foi a detentora do maior número de desempregados durante a crise. 

Os portugueses ao contrário dos espanhóis, pagaram e ainda continuam a pagar a mais pesada factura da austeridade; que já custou a fuga do nosso país de mais de 900.000 Jovens, que levaram na sua bagagem licenciaturas tiradas nas nossas melhores Universidades e politécnicos; dando com a sua partida um enorme contributo para o despovoamento nosso do país, e o desenvolvimento de quem os recebe; tendo alguma emigração espanhola no mesmo período, sido constituída por pessoas menos qualificadas que a portuguesa; porque a Espanha tudo fez para não os deixar partir, dando-lhe meios de sobrevivência para os manter no seu país.

Os partidos populistas que estão a surgir tanto em Portugal como em Espanha, são uma preocupação para quem está empenhado na sua recuperação; e compreende-se que o atual primeiro-ministro português e também de Espanha, embora não lhes feche a porta se queiram afastar deles.

Em Espanha a situação é um pouco diferente; porque os partidos populistas ou mudaram de discurso ou foram simplesmente afastados da área governativa, um exemplo que também aconteceu na Grécia.

Os espanhóis aguentaram a crise sem recorrer à emigração em massa, e Filipe VI enfrenta grandes desafios que a Espanha tem que ainda superar; é neste contexto que o movimento de separatismo na Catalunha é inoportuno e desenquadrado da realidade espanhola.

O Rei de Espanha é um homem de reconhecida inteligência, e conta com o mérito de sempre recusar quaisquer privilégios face aos seus concidadãos, nas escolas que frequentou e na formação militar; para além de nunca ter interferido na justiça contra os seus mais próximos, como é do conhecimento público.

Alguns erros cometidos por alguns dos seus familiares, não podem servir de base para que os espanhóis percam a confiança na instituição da monarquia em Espanha, pois só ela terá capacidade de elevar de novo esta grande Nação ao lugar que lhe compete no Mundo, onde deixou as suas marcas civilizacionais em todos os continentes.

Tive o privilégio, de ter conhecido D. Juan Conde de Barcelona avô de Filipe VI de quem guardo gratas recordações; espero que nesta situação de crise na Catalunha, os ideais do extraordinário homem que foi Don Juan não sejam traídos.

A Felipe VI desejo-lhe sorte e coragem, para segurar a união de uma Espanha com que seu avô sempre sonhou.

Os ventos têm sido particularmente agrestes nos últimos anos para com a Península Ibérica, que levou a todo o mundo a civilização ocidental e o cristianismo; neste momento difícil, resta-nos dizer viva Espanha.

  • Joaquim Vitorino, Director
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