Mulheres portuguesas, por quem os sinos dobram

Mulheres portuguesas, por quem os sinos dobram

Mulheres portuguesas, por quem os sinos dobram

Os portugueses estão mais pobres, mais incultos e violentos; a situação económica em que muitas famílias caíram, não justifica a espiral de violência doméstica, que em apenas 10 meses tirou a vida a mais de 40 mulheres, que deixaram órfãos muitas crianças.

Não vamos esconder-nos atrás de causas subjacentes como o desemprego, que atingiu com severidade a classe média, que foi a principal responsável pela maior percentagem de divórcios no nosso país; o que nem sempre é bem digerido por uma das partes.

Os filhos são forçados a assistir aos constantes actos de violência, que depois transportam para as escolas; onde um aluno violento é suficiente para desestabilizar toda uma turma, como tem sido noticiado em casos frequentes; enfraquecendo a motivação dos professores e a qualidade do ensino.

As consequências do trauma na sociedade e famílias, pode ser um entrave à recuperação do ânimo colectivo, para sairmos rapidamente do desespero em que se encontram muitos portugueses, e partirmos em busca da paz e justiça social, que nos conduza ao desenvolvimento económico, imprescindível para o equilíbrio mental daqueles, que se refugiam na violência gratuita; faltando-lhe muitas vezes a coragem, para enfrentar um novo rumo nas suas vidas.

As mulheres portuguesas, não devem nem podem ser o elo mais fraco tradicional nas sociedades latinas, porque há muito tempo que já deram provas da sua afirmação nos campos profissional e sócio cultural, é um direito adquirido e merecidamente reconhecido nas civilizações ocidentais. Os homens não são donos das mulheres e dos filhos; é um abuso feudal que não pode ser praticado em pleno século XXI; esta barreira que tem que ser quebrada para que acabe o machismo grosseiro que ainda existe na cultura portuguesa, que não é justificável ou tolerável numa sociedade democrática; sendo até a agressão verbal, inaceitável do ponto de vista sociológico e humano.

Muitas das mulheres que conseguem divórcios litigiosos optam por abandonar o nosso país, levando consigo os filhos com medo de perseguições e represálias, procurando abrigo em países onde a legislação local as protejam; o que não impediu que recentemente um português se deslocasse à Suíça, para assassinar a ex-mulher e o companheiro desta.

A nossa sociedade está desagregada e à beira do desequilíbrio; sem objectivos concretos vai rumando contra a maré, sempre na tentativa de encontrar culpados para as suas próprias culpas; enganam-se os que se desculpam com a crise, porque as dificuldades unem as pessoas não as divide.

O país está a perder o leme do barco que nos referenciava como um povo generoso e pacífico, e não existe justificação ou causa para matar; porque ninguém é dono da vida de alguém.

A legislação portuguesa tem vindo a dar alguma protecção os infractores, porque só age depois do crime consumado; esta bola de neve só terá um fim, depois de acções severas contras os prevaricadores; uma calamidade social que se tem agravado com o abandono do país de centenas de milhares dos nossos licenciados, que vão empobrecendo a nossa educação; onde já se nota um tremendo vazio. A crise deixou grandes mazelas na sociedade portuguesa, onde futuramente o ensino terá um papel preponderante para as cicatrizar; sendo neste sector que teremos que apostar o nosso futuro.

Portugal terá que seguir em frente; é uma exigência que se nos impõe, em nome das próximas gerações e das crianças de hoje; porque serão elas, que vão levantar este país de novo.

 

 

 

 

 

 

Joaquim Vitorino 

Director 

OBS: Às mulheres portuguesas que foram vítimas da irracionalidade e da intolerância; aqui lhes deixo, a minha sincera homenagem.

        

                                        

 

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