Editorial

Vila de Rei recebeu o Foral de D. Dinis há 735 anos. Situada no “Centro Geográfico de Portugal”, foi por iniciativa dos seus dirigentes autarcas que se deu início ao combate pela interioridade do nosso país, como resposta às sucessivas vagas de emigração que tiveram o auge nas décadas de 60/70, e posteriormente durante a crise 2007/2015. A coragem e visão futurista da então Presidente Irene Barata, iria ser noticiada em todo o Mundo com a “simbólica” decisão de fixar no Concelho 6 casais de brasileiros, para ajudar a povoar o Concelho que estava a ficar com um baixo nível demográfico. Foram tempos difíceis mas também determinantes, porque coincidiram com uma nova vaga de emigração de portugueses, em que as condições económicas em Portugal motivadas pela crise que teve início em 2007, travaram o fluxo migratório para o nosso país; tendo muitos brasileiros, romenos, ucranianos e angolanos entre outros, sido forçados a regressar aos seus países de origem, enquanto a elite de emigração portuguesa constituída em mais de 80 por cento de licenciados, deixavam para trás o país mais inculto,  pobre e despovoado. Quando pela primeira vez visitei Vila de Rei, fiquei impressionado com a beleza paisagística da Vila, em especial “o Marco Geodésico” que oferece ao visitante uma vista de retirar a respiração. Logo pensei que aquele seria o local ideal para a construção de um grande telescópio, para um centro de estudos nas áreas da Astronomia, Astrofísica e Cosmologia que com toda a certeza, iria catapultar Vila de Rei para todo o Mundo científico nestas áreas. Aliás o Jornal de Vila de Rei é o órgão de informação em língua portuguesa com mais publicações nos temas inovação tecnológica, inteligência artificial, clima, origens da vida, história de Portugal e religião e cidadania. Ter um jornal próprio para divulgar as grandes atrações turísticas da Vila, e promover a ciência e cultura foram sempre uma constante deste Jornal, que tem sido um êxito se forem tidos em conta os condicionalismos económicos, a que um órgão de informação regional e muito particularmente no Distrito mais desertificado do país está sujeito. Algumas dificuldades subjacentes à natureza pobre da região, a que se juntou o alheamento por parte do poder autárquico ao projeto de um Jornal com uma outra dimensão, que só seria compreensivelmente possível, com alguma ajuda o que não aconteceu. Hoje o Jornal de Vila de Rei está a ser confrontado com a pior crise de sempre, para a imprensa a operar no interior do país; sem quaisquer ajudas ou receitas em publicidade, o nosso Jornal continua mesmo assim a ser uma realidade incontornável, que acabou por ultrapassar as fronteiras do Distrito de Castelo Branco e de Portugal, sendo lido por dezenas de milhares em todo o mundo, o que nos dá um certo orgulho. Todavia, o objetivo do Jornal é acompanhado de um sonho ambicioso, que é a decisão do poder político central e autárquico, em dar corpo a uma velha ambição acima referida; uma Universidade de Vila de Rei nas áreas mencionadas, aberta a estudantes de todo o Mundo. Seria um regresso à época quinhentista, onde os portugueses para além de excelentes navegadores, foram também os grandes Astrónomos daqueles tempos; tendo muitos deles, saído desta região como Pedro Álvares Cabral por exemplo. O Jornal de Vila de Rei é mais um “marco” na região de Castelo Branco, para juntar ao já famoso Monumento Geodésico.

Joaquim Vitorino, Director

J. Vitorino – Diretor

OBS: O Jornal de Vila de Rei em nome de todos os seus Ilustres colaboradores, deseja aos seus leitores um Santo Natal e um Próspero Ano de Novo.

 

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