Portugal Confinado

Portugal Confinado

 

Monumento das Descobertas

                                                                           Portugal Confinado

A crise epidémica, veio pôr a descoberto as fragilidades a que os portugueses estão sujeitos; todos têm consciência da grave situação que estamos a enfrentar; mas na verdade, ninguém quer fazer a sua parte sem a qual, não terão sucesso as medidas de combate à pandemia. 

A grande tempestade Covid-19, veio acelerar a grave situação em que se encontra o país e os portugueses, que se acomodaram na terrível inevitabilidade dos acontecimentos, culpando sempre os outros, pela parte da responsabilidade que lhes cabe; não estou a defender o governo, que não tem feito a melhor gestão da epidemia; mas sim a minha consciência, numa análise justa às falhas que foram muitas, no combate a este terrível flagelo, que está a deixar Portugal numa situação que nos envergonha.

Na primeira vaga Portugal foi quase exemplar, mas na segunda a situação económica falou mais forte; o governo cedeu e o resultado está à vista.

Mas Portugal sofre de outros males, cuja terapia não é de fácil solução; é que o país está no caminho da falência, e isso foi determinante para a grande avalanche de mortes, que noutra situação poderia ter sido evitada.

António Costa questionado quanto ao fecho das escolas a conselho dos cientistas, disse compreender, mas quem manda é o governo.

Existem valores indispensáveis, para quem exerce serviço público e não só; a quebra constante desta regra, é uma questão prioritária a ser urgentemente levada a debate pela cidadania, que tem o direito de saber, o estado real em que o país se encontra, para poder avaliar e julgar os responsáveis nas urnas de votos ou nos tribunais, se for provada alguma negligência grosseira, na gestão da presente crise, que ainda está muito longe do fim.

Porque infelizmente, mesmo depois de debelada a pandemia, os danos colaterais levarão vários anos a serem cicatrizados.

Uma penalização, para quem prevaricou ao serviço do Estado nunca foi severamente aplicada, tendo há muito assumido estatuto de inevitabilidade.

É uma velha epidemia, que os consecutivos governos não conseguem travar; e, como consequência em poucas décadas, conduziu Portugal a uma tremenda desigualdade social.

O enriquecimento a qualquer custo, tem levado à prática de sucessivas fraudes; algumas das quais envolveram bancos e outras instituições, comprometendo uma justa distribuição dos rendimentos e o desenvolvimento do país.

Diariamente somos confrontados com sucessivas notícias de corrupção em Portugal, onde as frequentes comissões de inquérito,  colidem com o interesse de alguns partidos; perdendo-se milhares de horas em reuniões, que só servem para confundir os portugueses.

Os tribunais portugueses estão empilhados com milhares de processos a prescreverem,  e outros a caírem em alçapões, o que incentiva a que crimes e burlas contra o Estado e instituições públicas, sejam repetidas sem quaisquer consequências.

Portugal é um dos países europeus com mais casos de corrupção, uma situação que vem complicar a recuperação económica; recordo que Portugal, chegou a ser um dos países mais seguros para investir.

Como se sabe; muitas empresas portuguesas foram vendidas nos últimos anos, e poucas nasceram com capitais vindos do exterior, que criassem novos postos de trabalho; tendo os sucessivos governos, alienado o melhor que o país tinha a exemplo a EDP, CTT, Bancos e águas de Portugal; algumas caíram no domínio chinês, por não existirem outros interessados pelos motivos acima referidos.

Os portugueses foram nos últimos 13 anos levados para uma pobreza sem retorno, por quem lhes prometeu uma sociedade justa, onde supostamente todos teriam os mesmos direitos, mas parece que não é bem o que aconteceu.

Portugal é atualmente o país da Europa com a maior assimetria social; em poucos anos perdeu mais de metade da classe média, que veio aumentar o caudal de pobreza, beneficiando apenas o setor público, e aumentando o desequilíbrio entre portugueses com as mesmas habilitações.

 Como dizia George Orwell, existem uns que são mais iguais que os outros; Portugal é um flagrante exemplo.

A esmagadora maioria dos portugueses querem viver em democracia; mas que não sirva apenas as elites e seus amigos, onde os últimos episódios que dariam para uma novela de êxito, fazem-nos refletir se o voto dos portugueses merece o respeito que lhes é devido.

Ultimamente têm sido demitidos ou obrigados a demitirem-se secretários de Estado, diretores de serviços, Procuradora geral da República (não reconduzida no cargo), nomeações de Juízes como o caso europeu recente, e o Presidente do Tribunal de contas que foi demitido, sem lhe ter sido dada qualquer explicação, o que é muito preocupante; porque não é essa a leitura, que os portugueses fazem de uma verdadeira democracia.

Lamentavelmente até na gestão das vacinas as “nódoas” não param de cair;  é neste contexto, que os portugueses vão continuar confinados a duas epidemias; a Covid-19 e aquela que para a qual, ainda não foi encontrada vacina para a cura.

 

J. Vitorino

J. Vitorino  –  Jornalista

 

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