Uma porta aberta para o Atlântico

Uma porta aberta para o Atlântico

Porto de Sines

Portugal, uma porta aberta para o Atlântico.

O afastamento do centro da Europa e os conflitos permanentes com a vizinha Espanha, foram determinantes na opção portuguesa pela expansão marítima; uma decisão que teve início com a conquista de Ceuta, a 21 de Agosto de  1415.

Ao comando de uma armada com mais de duzentos navios, estava o próprio Rei D. João I e o seu (quinto filho) o Infante D. Henrique com 21 anos de idade; que viria a ser o grande impulsionador dos descobrimentos, que conduziram um pequeno país Portugal, a um grande Império disperso por todo o Mundo.

Os portugueses foram o povo que mais proveito tirou da proximidade com o Atlântico; sendo atualmente o que menos dividendos recolhe, não obstante ser na união europeia quem mais área de mar tem sob seu controle.

De pouco tem servido aos portugueses este manancial de riqueza desaproveitada, quando o mar e também a área agrícola que possuímos, seria mais que suficiente para que o nosso país fosse dos mais prósperos e autossuficientes da Europa.

Portugal está descompensado, pelas vagas de emigração que nos últimos anos foram um entrave ao nosso desenvolvimento; muitos dos que tiveram que partir, eram quadros altamente qualificados que podiam ter sido aproveitados na exploração marítima e agrícola, para transformar Portugal num país rico, como já o foi por duas vezes no passado.

Com uma população envelhecida e numerosa em consequência da emigração (massiva) dos últimos 14 anos, a situação mais dramática está reservada para aqueles que se encontram na proximidade da reforma, onde muitos nesta faixa etária já se encontram no desemprego prolongado; outros desistiram de procurar trabalho, optando por receber indemnizações, ou foram forçados a aceitar a perda do emprego, sobre o pretexto de que não se ajustam às novas tecnologias.

Muitos dos seus familiares, brevemente também se vão encontrar na situação de desempregados; sem quaisquer ajudas porque já foram esgotadas, depressa obriga aos primeiros por uma questão de solidariedade familiar, a repartir com eles o que receberam pela “venda” do seu posto de trabalho; em muitos casos, sem lhes terem sido apresentadas alternativas.

Os valores que vão receber pouco vão durar, obrigando-os a procurar uma nova ocupação, que em alguns casos será em trabalho precário; pago por quem exerce há muito, este tipo de economia.

Com o aumento das novas tecnologias e trabalho à distância, acelerado em 15 anos por motivo da pandemia; dezenas de milhares de funcionários públicos, serão colocados em regime de mobilidade, com cortes nos rendimentos que colocam a sua subsistência e dos seus familiares em “risco” de pobreza prolongada; arrastando com ela muitos fatores negativos; onde se inclui, a perda de valores que são subjacentes a este drama.

Independentemente das razões que possam ter sido as melhores para debelar a crise, que se agravou exponencialmente com a epidemia Covid-19, é desmotivador ver os portugueses  na posição do povo mais pobre da Europa, mais subdesenvolvido e com a mais baixa taxa de literacia da União europeia, em consequência da emigração de um milhão de licenciados nos últimos 13 anos; que podiam estar na linha da frente, para ajudar o nosso país a sair deste atraso a todos os níveis. 

“Portugal é uma Grande Porta Atlântica que nos pode trazer grandes vantagens” se o país fosse um “Offshore Marítimo.”

Sines é o maior e mais bem posicionado porto Atlântico de águas profundas, e nenhum outro país europeu goza desse privilégio; que pela posição geográfica tem todas as condições, para ser um grande polo de atividade económica europeia e Mundial.

Os portugueses já entenderam que a solução dos seus problemas não passa por Berlim e Bruxelas, que têm esmagado Portugal com austeridade e falta de solidariedade; temos que enfrentar a crise a sós, e não há tempo a perder, porque não podemos deixar para os outros a tarefa que nos cabe.

Enquanto os ingleses acordaram para a realidade sobre a União Europeia, os portugueses e parceiros pobres do Sul ainda dormem num sono profundo; a exemplo, as nossas Universidades trabalham quase em exclusivo para os países ricos do Norte, que nos levam 20 anos em avanço tecnológico.

Passados 14 anos, os portugueses ainda não conseguiram reagir à crise; uma consequência da inércia e letargia, em que os consecutivos governos nos deixaram cair.

A dita (bazuca) de 16.000 milhões de euros, devia ter como prioridade a agricultura e as pescas; porque de nada serve a um país desenvolver outros setores, se continuar dependente do exterior na alimentação e serviços de primeira necessidade.

Porque somos uma Nação de aventureiros, haverá sempre uma alta taxa de emigração, mas esta não terá que ser necessariamente de gente pobre; é este o paradigma, que os portugueses têm que inverter.

J. Vitorino  –  jornalista – Diretor 

OBS: Ao semanário “Mundo Português” ao serviço da emigração nos últimos 52 anos.

No dia 5 de Março de 2021 foi a última publicação; uma enorme perda para as comunidades de Portugal no Mundo. 

 

 

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