A força da Cidadania, por J. Vitorino

A força da Cidadania, por J. Vitorino

 

J. Vitorino  –  Jornalista

O presidente Marcelo Rebelo de Sousa insiste e muito bem, numa união de todos os portugueses para enfrentarmos duas crises; a epidémica, e a económica que será a mais difícil de ultrapassar; porque não vai ser fácil sairmos da cauda da Europa, que é precisamente o local onde Portugal se encontra.

Os outros países europeus não vão com toda a certeza, fazer uma pausa no crescimento para que Portugal os possa alcançar.

Lembro que os portugueses, há 14 anos que estão a sair massivamente do seu país para irem ajudar a aumentar a distância abismal, que nos separa em desenvolvimento a todos os níveis.

Foram mais de 1.2 milhões de licenciados que os últimos governos deixaram partir, porque não criaram condições para os reter; uma situação que leva Portugal a perder em várias frentes; sendo as principais, a perda demográfica que se reflete em todo o território, e a de gente qualificada que estariam na linha da frente, para nos ajudar a sair da pobreza e atraso face aos nossos parceiros europeus.

Todos os países cresceram nos últimos 47 anos à exceção de Portugal, que para além da segunda maior dívida pública que contraiu, também alienou o melhor património que tinha e não desenvolveu o país; foi por isso que os nossos melhores tiveram que partir; continuando as nossas Universidades que são das melhores, a produzir exclusivamente para a emigração.

Todos reconhecemos que o presidente Marcelo quer marcar a sua passagem por Belém pela diferença; e os portugueses não esperam outra coisa do presidente Marcelo, mas não vai ser fácil exigir ao povo português para se unir aos responsáveis pelos partidos políticos, com responsabilidades no atraso em que Portugal caiu nos últimos anos.

Em 1980 o país ainda tinha (5) classes, e presentemente está reduzido a (3); que é constituída por 20% dos servidores do Estado, as elites políticas que continuam a manter-se niveladas pelos países mais ricos da Europa, e a esmagadora maioria dos portugueses que lutam para sobreviver; sendo as crianças e os jovens, a que se juntam os idosos, as principais vítimas da grande assimetria social,  que hoje se vive “no Portugal democrático”.

Há mais de 40 anos que os portugueses vivem na incerteza do futuro; com uma incomportável dívida pública, que está a condicionar o nosso desenvolvimento; uma situação que nos condena à pobreza compulsiva por décadas ou mesmo centenas de anos, comprometendo o futuro das próximas gerações; que com toda a certeza, nos vão julgar implacavelmente.

Há anos que Portugal está a ser varrido por uma onda de corrupção e roubo; é uma situação desprestigiante para o nosso país, que nos coloca sob o escrutínio dos nossos parceiros da Europa; porque existe a sensação de que a justiça em Portugal não funciona de igual para todos.

Os casos recentes deixam-nos algumas dúvidas e uma certeza; quem tem dinheiro e influência política nada tem a recear; ainda recentemente e logo a seguir a uma decisão dos tribunais sobre um dos julgamentos mais mediáticos de sempre, um dos principais arguidos assumia a sua inocência numa entrevista, dada na hora nobre de um dos canais televisivos.

Os portugueses têm que dar uma resposta enérgica, para que Portugal seja retirado desta incómoda situação de suspeita e descrédito, face a todos os outros parceiros da União Europeia.

Só existe uma porta de saída para que a nação portuguesa seja tratada com o respeito que lhe é devido; são os movimentos de cidadania, onde algumas forças políticas também se possam integrar, mas terão que romper com aqueles, cujas práticas têm denegrido o bom nome de Portugal; que não pode continuar a ser enxovalhado com ameaças de Bruxelas como tem sido ultimamente, inadmissíveis quando dirigidas a um país soberano, pois creio que ainda o somos.

Os portugueses têm que se unir é certo, mas para apostar numa solução de cidadania; porque cada vez mais está provado, que o regime não está a corresponder às espectativas dos cidadãos, onde é notória a quebra de confiança dos eleitores nos seus líderes por um lado, e o afastamento dos portugueses da política o que é mais grave por outro.

Note-se que os movimentos de cidadania não querem ser governo; mas sim exigir a quem governa, e apoiar quem melhor defende o interesse dos portugueses, e o bom nome de Portugal.

Quem não seguir esta regra, só lhe resta uma única opção; que é deixar-se ser governado pelos mesmos de sempre, a quem cabe a responsabilidade da caótica situação de pobreza generalizada em que Portugal se encontra.

Os muitos casos de desonestidade e corrupção detetados no exercício público, com grande incidência de casos recentes, têm marcado nos últimos anos a “democracia portuguesa;” que está muito longe de ter atingido a maturidade.

Os recentes acontecimentos envolvendo figuras políticas, têm arrasado a credibilidade de Portugal no exterior; a grande parte dessa fatura, é paga pelos nossos emigrantes que não têm a mínima culpa.

Portugal tem que se refazer das cinzas e apenas nos resta uma esperança, que são os jovens seriamente envolvidos nos movimentos de cidadania, para ajudar a construir um Portugal para todos, e que seja credível aos olhos do exterior.

Vai ser um trabalho árduo, mas valerá a pena em nome das futuras gerações; é uma missão patriótica que terão pela frente, que é devolver a dignidade aos portugueses e o bom nome a Portugal.

Portugal não pode ficar eternamente à mercê de quem o não consegue erguer; sendo urgente uma resposta da cidadania.

É certo que o país precisa de todos, mas provavelmente será necessário dispensar alguns que já provaram que não são a solução, para devolver Portugal aos portugueses.

                       J. Vitorino 

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