A Ética e a moral, por J. Vitorino

A ética e a moral no exercício de cargos públicos e também privados, é uma questão prioritária a ser urgentemente levada a debate pela sociedade portuguesa.

A quebra constante destes valores que deveriam ser salvaguardados para os nossos jovens e futuras gerações, assumiu um estatuto de inevitabilidade, que os consecutivos governos não conseguem travar; porque vão enchendo as fileiras dos seus partidos, e quando são governo os ministérios, de gente sem vocação; o que como consequência, em poucos anos levaram Portugal a uma tremenda desigualdade social.

A apetência pelo enriquecimento, levou muita gente à prática de graves e sucessivas fraudes, em que algumas das quais atingiram o Estado português no seu património, e na perspectiva de um futuro melhor para as gerações seguintes.

Os emigrantes portugueses enfrentam diariamente as críticas depreciativas que fazem ao seu país, com sucessivas notícias de corrupção em Portugal; onde a “Justiça está trancada” pelas leis que foram aprovadas na Assembleia da República, com as frequentes comissões de inquérito a esbarrarem com o interesse dos partidos que as compõem; perdendo-se milhares de horas em reuniões, que só servem para tapar os olhos aos portugueses pelo tempo que ali é perdido, com as provas a caírem em alçapões, que os “feitores das leis” deixaram para trás, para servir o seu clientelismo; o que incentiva a que crimes e burlas contra o Estado, sejam repetidas sem quaisquer consequências em muitos casos.

Uma situação que está a dar origem a que alguma imprensa estrangeira, considere os portugueses como um povo pouco honesto, um epíteto que nos marca como um selo indelével por muitos anos.

Portugal vive num caos político e económico; cada dia que passa nesta situação vem complicar ainda mais uma saída em que no mínimo, se salve a face do nosso país que continua a empobrecer e contrair dívida pública, que nos vai condenar à subserviência dos credores por muitos anos.

O que numa perspectiva de a conseguirmos pagar em 120 anos, custará às próximas gerações 700.000 milhões de euros com os juros contabilizados; um crime para com aqueles que ainda não nasceram, a que se juntam os atuais jovens que não têm direito a voto, o que vem acentuando a “divisão dos portugueses em duas classes”; os que têm vindo a tirar benefício da dívida, e a esmagadora maioria que são os pobres e os seus descendentes que um dia a terão que pagar; até porque se não o fizerem, ficarão subservientes aos credores por várias gerações.

Portugal está a ficar com a honra e o prestígio que herdámos do nosso passado severamente maculado, por aqueles a quem a imprensa dos outros países já epitetam de vigaristas e aldrabões, como chegou a noticiar a Euro News e outros órgãos informativos internacionais.

Os portugueses foram nos últimos anos atirados para uma pobreza sem retorno, por aqueles que lhes prometeram uma sociedade justa e igualitária; onde supostamente todos teriam os mesmos direitos; mas parece que não é bem assim. Como dizia George Orwell em “O Triunfo dos Porcos” existem uns que são mais iguais que os outros.

Manuela Ferreira Leite disse em tempos, e num quadro menos grave que o atual, que seria preciso interromper a democracia para recuperar Portugal; com toda a certeza que se referia ao fim deste regime.

Os portugueses querem viver numa democracia justa para todos.

Os tristes episódios que levaram recentemente à queda do governo central e regional da Madeira, fazem -nos refletir se o voto dos portugueses merece o respeito que lhes é devido; evidentemente que não mereceu, porque a vontade de quem votou não foi respeitada.

Portugal só renascerá com gente à frente dos destinos da Nação, que consiga reunir mulheres e homens honestos e patriotas; empenhados em deixar aos seus descendentes um país digno e respeitado, como foi durante quase oito séculos de monarquia; que não obstante alguns maus momentos, ainda hoje todos nos orgulhamos.

J. Vitorino – Jornalista – Diretor

 

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