EDITORIAL: O equilíbrio do terror, por J. Vitorino

EDITORIAL: O equilíbrio do terror, por J. Vitorino

Refletir Hiroshima e Nagasaki 79 Anos Depois

Os motivos do lançamento das bombas atómicas sobre Hiroshima e Nagasaki, foram justificadas pelo então Presidente americano Harry S. Truman, como uma necessidade de abreviar o fim da guerra.

Harry S. Truman foi o primeiro presidente responsável no lançamento de armas nucleares sobre população civil.

Poupar a vida a mais de um milhão e meio de militares, não justificou à época essa decisão porque as vítimas eram civis; constituídas por crianças, mulheres e idosos, porque os homens válidos estavam na frente de batalha.

O projeto Manhattan ( 1940-1946 ) foi liderado pelos Estados Unidos com o apoio do Reino Unido e Canadá, sob a direção do Major-General Leslie Groves um Engº do Exército norte-americano, e revestia-se de segredo absoluto; mas não foi muito o cuidado na seleção de pelo menos dois dos mais proeminentes físicos da época, responsáveis pela arma mais devastadora que o Homem construiu até hoje; pois os serviços secretos sabiam, que eram dois comunistas assumidos, mas que seriam imprescindíveis para levar o projeto em frente.

Philip Morrison foi sem sombra para dúvida, um dos mais ilustres Professores de física no Massachusetts Instituto of Technology (MIT); mas o seu nome só saltou para a ribalta, depois de mais tarde se saber quem integrou o “Projeto Manhattan”, que tinha como objetivo acelerar a capitulação da guerra, cujos destinatários seriam a Alemanha ou o Japão.

Em Los Alamos (Novo México) a luta era contra o tempo, não havendo sequer tempo para dormir; Morrison, George Kistiakowsky e Robert Oppenheimer que estava à frente do projeto, eram os homens do momento em Los Alamos; foram juntos assistir à distância sentados no banco detrás do Dodge de Morrison, à deflagração da (Bomba Ensaio) uma das três que tinham construído.

Compreenderam disse mais tarde Morrison, que tinham entregue aos militares uma arma terrível; mas que nada podiam fazer, porque elas já se encontravam nas suas mãos.

Este homem extraordinário, que foi marcado aos 4 anos de idade pela poliomielite que lhe deixou graves lesões para toda a vida, esteve na frente de grandes projetos de investigação nas áreas da física Quântica, Nuclear, e em Energia Astrofísica; a Ele se deve conjuntamente com Eugene Wigner, o desenvolvimento dos primeiros reatores nucleares iniciado em 1943. 

Philip Morrison não foi mais longe, por se ter assumido sempre como um comunista; um crime que naquela época era considerado de alta traição contra o Estado.

Hiroshima após ter sido atingida pela primeira bomba nuclear lançada sobre uma população civil.

É lamentável que passados 70 anos, ainda nenhum Presidente americano se tenha deslocado a Hiroshima e Nagasaki, para prestar homenagem às vítimas e pedir desculpas às “vítimas inocentes” das duas Cidades mártires.

Philip Morrison, nasceu a 7 de novembro de 1915 em Somerville New Jersey USA; e faleceu a 22 de Abril de 2005 em Cambridge Massachusetts USA.

Existem no Mundo aproximadamente 14.000 ogivas Nucleares; algumas delas estão em estado de prontidão, e têm um potencial por unidade superior a 3000 vezes a que foi lançada em Hiroshima; como é o caso da Bomba Nuclear TSAR pertencente ao Arsenal da Rússia, e que foi construída no tempo da “Guerra Fria” 1966; uma só ogiva, destruiria uma Cidade com três vezes o tamanho de Nova Iorque.

Rússia, EUA, Reino Unido, França, Índia, Paquistão, Israel, China e Coreia do Norte, pertencem ao “Clube do Terror”, que tem a capacidade de destruir o Planeta Terra umas 200 vezes.

Nota do Autor: Em maio de 2016, Barack Hussein Obama seria o primeiro Presidente americano a visitar Hiroshima; não pediu desculpa às vítimas.

J. Vitorino – Jornalista – Diretor

 

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