Memórias de Portugal

Memórias de Portugal

        Brasão da Casa de Avis

 

10 de Junho de 2021 – memórias de Portugal

O 10 de junho; é o dia para lembrar todos os portugueses que tiveram que partir em busca de uma vida mais digna, e de um futuro mais promissor para os seus descendentes; deixando sempre em aberto a esperança, de um dia ainda que longínquo, poderem regressar à terra lusitana que os viu nascer; foi sempre este o desígnio de ser português, e uma marca indelével do nosso indomável povo.

O povo português foi sempre sonhador e aventureiro como prova a sua história; mas também sedentário, onde o regresso às origens foi sempre uma constante que começou há 606 anos (com a tomada de Ceuta em 1415), quando Portugal teve que deixar tropas e civis nos territórios que ocupava;  registando ainda hoje mas por motivos diferentes,  uma das mais elevadas taxas de emigração.

A pobreza tem sido a causa mãe, dos grandes fluxos emigratórios dos portugueses; que penalizaram o nosso crescimento demográfico sem o qual, Portugal nunca teria chegado tão longe na globalização como chegou.

Mas reconhecemos também, que somos um povo de contradições; pacientes mas pouco unidos nas horas difíceis, (os últimos 111 anos da nossa história falam por si); o que constitui um obstáculo à nossa realização pessoal e coletiva, porque não reagimos aos sacrifícios impostos por quem acreditámos que seriam os melhores, para encontrar as soluções para as nossa aspirações; estando estas muito longe de terem sido correspondidas, não obstante terem existido todas as condições, mas que não foram aproveitadas como outros países o fizeram, a Irlanda é um exemplo.

Portugal é um país com uma frágil economia, um fator que nos arrastou para uma pobreza prolongada; a nossa recuperação dependerá sempre da conjuntura internacional, e de uma resposta enérgica por parte de todos os portugueses, o que não se tem verificado.

O país sofreu nos últimos anos uma grande quebra produtiva; por conseguinte, esvaziou na emigração muitos dos cérebros que nos vão deixado mais pobres e debilitados, para podermos inverter o estigma da pobreza, que nos deixou fortemente dependentes do exterior; dificultando a nossa recuperação económica que é a única autoestrada, para recuperarmos o atraso a todos os níveis, que está na origem do nosso empobrecimento.

Os últimos anos foram todos eles, repletos de acontecimentos negativos para os portugueses; o que lhes reserva todo o direito, de colocarem em dúvida os autores das promessas que lhes foram feitas e que nunca foram cumpridas.

Portugal adquiriu em tempos o estatuto de país de grandes Navegadores, e os portugueses de corajosos guardiões da sua independência; mas neste momento atravessam uma crise de “rumo coletivo”; com a política económica do país, a ser ajustada à ideologia de quem governa.

Os olhos do Mundo estão postos em Portugal porque não compreendem, o porquê dos portugueses, deixarem cair em poucos anos a sua Nação sem reagirem.

No passado enfrentámos ocupações e guerras impostas, e lutámos nos cinco continentes; mas atualmente assumimos uma posição “dócil” para com aqueles, que contribuíram mesmo que em alguns casos involuntariamente para nossa derrocada coletiva; o que constitui a maior falta de coragem desde a “Fundação do Reino”; uma realidade que as futuras gerações com toda a certeza, nunca nos vão perdoar.

A língua portuguesa é a quinta mais falada em todo o mundo, sendo das primeiras com a maior cobertura global, onde é ensinada em todos os cantos do planeta; mais concretamente em 175 países, o que vem dar consistência à nossa universalidade.

Nunca será de mais realçar, o legado cultural e patrimonial que nos deixaram os “grandes do nosso passado” e que os portugueses de hoje não conseguem preservar.

Portugal deu um grande contributo ao Mundo, na divulgação de valores que ainda hoje representam as pedras basilares da civilização ocidental; aquela que foi a maior das seis Nações que globalizaram o Planeta; em contradição hoje já pouco resta, com que a possamos identificar.

           A bandeira de Ceuta

A diáspora portuguesa teve início com a conquista de Ceuta por D João I em 1415; que por ironia é o único território que foi português durante 225 anos, que ainda ostenta na sua bandeira os símbolos de Portugal e também da Cidade de Lisboa; precisamente o brasão de armas da dinastia de Avis, que foi fundada pelo Rei que esteve ao comando da tomada de Ceuta, e da bandeira de Lisboa a capital de Portugal.

Hoje 10 de Junho de 2021 feriado Nacional, comemorativo do Dia de Camões e das Comunidades, deve ser de (união e reflexão de todos os portugueses), para que todos juntos possamos salvaguardar alguns valores da nossa história que nos são tão carismáticos, mas que nos estão a escapar sem que nos apercebamos; vamos fazê-lo em nome das futuras gerações, para que tenham um grande orgulho em terem nascido portugueses.

 

À memória de D. Afonso Henriques, D. João I (que deu o início à nossa expansão além-mar, com a conquista de Ceuta), D. Nuno Álvares Pereira, D. Afonso V (o Africano),  D. João II, Infante D. Henrique, D. Manuel I, D. João IV, Vasco da Gama, Pedro Alvares Cabral, D. João VI (que teve a coragem de levar a Corte para o Brasil para salvar o Império), Bartolomeu Dias, e Luís de Camões que melhor que ninguém, escreveu o povo que somos; e todos aqueles que a nossa história vem esquecendo, e que fizeram de Portugal uma Grande Nação; é a eles e aos nossos emigrantes, que o 10 de Junho de 2021 deve ser dedicado.

Joaquim Vitorino

Ex-emigrante  no Reino unido

 

 

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