As memórias de Lisboa, por J. Vitorino

Monumento das Descobertas

 

Foi a 22 de maio de 1998 que teve início a Expo 98, um sucesso que muito orgulhou os portugueses; quando do terramoto de 1755 Lisboa ao tempo a capital de um vasto Império teve que ser totalmente reconstruída.

 

Uma surpresa para a época porque eram inexistentes os meios tecnológicos de que dispomos hoje; no entanto, Lisboa viu num curto espaço de tempo a sua fisionomia alterada radicalmente; Marquês de Pombal e os seus Arquitetos transformaram Lisboa numa Cidade futurista,  fruto de uma Arquitetura arrojada e bela, que ainda hoje se mantem como um modelo em todo mundo.

 

Hoje; ninguém que visite a Capital portuguesa pela primeira vez, poderá ficar indiferente.

 

Com o fim das ex-colónias, Lisboa deixou a descoberto uma vasta área degradada que ia do Poço Bispo à foz do Rio Trancão; reabilitar a Cidade, foi uma consequência direta da Exposição Mundial Expo98; a recuperação de toda a zona oriental da Cidade e respetivos acessos, onde se inclui a Ponte Vasco da Gama, com 18 quilómetros de comprimento 13 dos quais sobre água; construída no ponto mais largo do Rio, que também é conhecido como “Mar da Palha”; o que veio alterar todo o panorama, e transformando Lisboa numa cidade moderna.

Ponte Vasco da Gama, vista do local onde decorreu a Jornada Mundial da Juventude no Parque das Nações em Lisboa.

 

A recuperação daquela área degradada da cidade, envolveu um grande esforço do país mas valeu a pena; Portugal conseguiu concluir a tempo da abertura do Evento, uma obra colossal do ponto de vista Urbanístico, nunca antes empreendido por nenhum outro país em tempo recorde; esta espetacular recuperação da Cidade de Lisboa, deixaria impressionado o próprio Marquês de Pombal que em urbanismo tinha uma grande visão.

 

Não são raras as vezes, em que é necessário irmos até ao passado para encontrarmos ideias, motivação e respostas para o futuro; a arquitetura da Lisboa de hoje, a Marquês de Pombal se deve.

Lisboa vista do Parque  Eduardo VII 

O período da Expo 98, foram anos áureos de Portugal em que toda a economia sentiu um tremendo impacto; porque não foi só a zona Oriental da Cidade a ser recuperada, foram autoestradas, erradicação de bairros de “lata” como o casal ventoso e outros, onde imperava o mundo da droga e a miséria que nenhum português quer ver repetir.

 

O país sentia-se motivado; foi uma década de grande crescimento, e logo a segui Portugal organizou o Europeu de futebol de 2004 e não faltaram elogios ao evento; de facto os portugueses, quando querem são dos melhores em arrojados projetos.

 

Na Exposição de 1998 recebemos quase 12 milhões de visitantes, e demos um grande impulso à atividade Hoteleira, dando a conhecer ao Mundo as nossas potencialidades turísticas e organizativas; quanto ao Europeu de 2004, Portugal foi à final com a Grécia que por ironia, eram precisamente os dois países que maiores dificuldades enfrentavam em toda a Europa.

 

Passados quase 26 anos, o Portugal atual obriga-nos a uma grande reflexão.

 

A crise 2008/2015, que teve o epicentro nos EUA não justifica só por si o tombo que o nosso país deu em tão pouco tempo; se tivermos em conta que o nosso problema não foi financeiro, mas sim em políticas económicas mal interpretadas, e com grande falta de visão no futuro.

Com as suas 7 colinas, e o Majestoso Castelo de São Jorge que é um miradouro com 360 graus de visão sobre a Cidade, um sol único que é o reflexo do Atlântico no Céu de Lisboa, e o mais belo estuário de todo o Mundo o do Rio Tejo, enquadrado nas duas maiores e mais belas pontes da Europa, e o percurso de Algés até ao rio Trancão, que começa na Praça do Império e acaba na Expo98, tendo a meio a Praça do Comércio e a baixa Pombalina, e na outra margem o CRISTO REI a abraçar a Cidade, dá a qualquer visitante uma imagem inesquecível de retirar a respiração; pelo que não tendo dúvida, em classificar Lisboa como uma Cidade sem rival em todo o Mundo.

 

Nos dias de hoje; aquela que já foi a Cidade mais cosmopolita da Europa e que rivalizou com Paris na moda, perdeu todo o “Glamour” que granjeou noutros tempos, em particular nas décadas dos anos 30 a 70.

 

Nos últimos anos houve um exponencial aumento da mendicidade na cidade de Lisboa; onde muitos dos locais de maior atração turística foram transformados em “guetos”, onde os lisboetas e muitos visitantes têm receio de entrar.

 

Aquela que foi a Cidade mais cantada de todo o Mundo e que o “Fado” tão bem simboliza, foi estigmatizada pela mendicidade, que é um péssimo cartaz turístico para quem nos visite.

 

OBS: Aos verdadeiros pobres do nosso país; muitos deles, ainda há pouco tempo integravam a classe média em Portugal.

 J. Vitorino – Jornalista Diretor