

Ilha italiana de Lampedusa
O drama dos refugiados, foram sempre uma constante nas suas visitas ao exterior; lembro que o Papa Francisco era filho de migrantes italianos, e logo após a Sua Aclamação, a Sua primeira viagem foi à Ilha italiana de Lampedusa, que ao tempo sofreu o maior impacto do drama dos refugiados que eu hoje recordo, no Artigo que então publiquei no ex-Semanário Mundo Português, para as nossas comunidades espalhadas em 177 países.



Papa Francisco na visita á Ilha dos Mártires e Heróis de Lampedusa
Intolerância e insensibilidade têm vindo a marcar a Velha Europa, onde muitos dos valores que nos diferenciavam se tem vindo a perder; tudo isto em nome de interesses que a globalização vai impondo, esquecendo a solidariedade que é devida entre os povos e Nações.
Lampedusa Itália, é um revoltante exemplo de tragédia que nações inteiras estão a viver no norte de África, levando à deslocação de milhares de seres humanos que fogem da pobreza extrema, da escassez da água e também das guerras e ditaduras; muitos dos que partem dos seus países são muito jovens, mas já trazem filhos ainda Bebés.
Quando chegam ao “virtual paraíso europeu”, preferem atirarem-se à água e morrer a terem que regressar para o flagelo das suas curtas e torturadas vidas; eles são considerados por algumas das novas Nações globalizantes e também de muitos europeus, como um dano colateral entendido à margem dum inquestionável valor humano que é o direito à existência.
O Papa Francisco que tem pautado o seu pontificado na defesa das migrações, fez questão que a sua primeira visita fosse a esta Ilha Italiana, que é uma porta de entrada para a Europa; esta visita cheia de simbolismo, foi um gesto de solidariedade para com o povo da ilha, e todos aqueles que ali procuram proteção e abrigo, e também um grito de revolta contra a indiferença para com os que ainda pensam que a Europa é a terra prometida.
Quando publiquei “Francisco o Papa” imediatamente a seguir à sua aclamação como Sumo Pontífice, sabia que este Homem veio para marcar a diferença entre os seus antecessores; Francisco que é dotado de uma inquestionável envergadura moral e luz de esperança para o Mundo, lançou um alerta para a perigosa situação de conflitualidade latente que representa o drama dos refugiados, e está a dar um grande contributo para o equilíbrio e a paz entre as Nações de credos diferentes.
Os europeus que foram povos globalizantes no passado, não estão a lidar com esta tragédia humanitária com a devida lisura; o desemprego e o retrocesso no crescimento do ocidente, não justifica só por si o fechar de olhos permanente a este drama sem fim à vista; e a Itália e Grécia não podem estar sós, a arcar com esta enorme responsabilidade de recolher no seu território centenas de milhares de refugiados, que estão a transformar o Mar Mediterrâneo num cemitério sem lápides.
A visita que o Papa Francisco fez a Lampedusa logo no início do seu Papado, foi precisamente sensibilizar o mundo Cristão e em especial a Europa que é um continente de emigrantes, para criarem condições de sedentariedade a estes povos em deslocação, tendo em conta que os países europeus estão a atravessar uma situação de grandes dificuldades, em consequência da crise que está a oferecer grande resistência, por motivo de ter sido deslocalizada grande parte da produção europeia para os países emergentes.
Motivos económicos foram sempre uma constante que marcou a deslocação dos povos ao longo da história da humanidade; não tenho qualquer dúvida, de que esta situação de que Lampedusa é um exemplo, se vai inverter num futuro que não será muito longo.
A África é o maior dos continentes e também o mais despovoado; os países africanos são ricos em recursos que escasseiam na Europa que começa a entrar em decadência de produtividade, fazendo mais que sentido termos que regressar a África de onde saímos há um milhão e meio de anos. Lampedusa será nessa altura que não está muito distante; não a porta de entrada para a Europa; mas sim, a de saída para África.
Artigo por mim publicado no ex-Semanário Mundo Português, para as nossas comunidades espalhadas em 177 países; quando da primeira viagem ao exterior do Papa Francisco, a Quem Deus Chamou hoje À Sua Divina Presença. Francisco partiu, mas ficará para sempre entre nós!..

J. Vitorino – Jornalista Diretor
ex-Emigrante no Reino Unido