Portugal faz hoje 882 anos de existência como país; 768 dos quais, passados em monarquia.

Afonso Henriques – 1º Rei de Portugal
Foi em 5 de outubro de 1143 que D. Afonso VII de Leão, reconheceu perante o representante do Papa, Cardeal Guido de Vico a existência de Portugal, naquele que ficou para a História como o Tratado de Zamora.
Lamentavelmente, o feriado do 5 de outubro não é para comemorar o dia da Nação portuguesa; que enquanto monarquia teve alguns altos e baixos, mas que no seu auge e com apenas 800.000 habitantes, chegou a ter o domínio de 4 continentes e 130 vezes o território atual.
As nossas comunidades espalhadas em 175 países falam por si; a quem dediquei (entre 2012 e 2022) mais de 800 Artigos e Crónicas, nas versões papel e posteriormente digital, através do extinto Jornal Semanário “Mundo Português”; que depois de 51 anos de atividade não sobreviveu aos efeitos do Covid-19, e ao boom das novas tecnologias de informação.
Hoje sabemos que as últimas quatro gerações vividas em república, não justificam a morte do Rei e do seu filho; e se ao fim de tantos anos faria algum sentido regressarmos à monarquia? evidentemente que sim, se fosse essa a vontade expressa dos portugueses.

O Tratado de Zamora – 5 de outubro de 1143
O estado de pobreza generalizada em que os portugueses se encontram são mais que evidentes, porque não existe um único país europeu por quem nos possamos nivelar em pobreza; onde a taxa de literacia já é a mais baixa da Europa, (menos de metade da média da União Europeia); pelo motivo de mais de um terço dos nossos licenciados, terem saído do país em busca de um futuro mais digno.
A divida pública, o fraco investimento do Estado, e a continuação da saída dos nossos mais qualificados, são uma evidência de que Portugal está a hipotecar o futuro das próximas gerações, e dos jovens e crianças de hoje; portanto, o acontecimento de há 115 anos merece ser refletido.
Nos últimos 25 anos (uma geração), mais de metade dos portugueses baixaram na hierarquia social; com mais de 20 por cento da população a entrar na pobreza sem retorno, ao que se juntam mais 40 por cento dos portugueses que vivem em pobreza, se comparados com os seus parceiros europeus; sendo os nossos jovens, crianças e idosos os mais penalizados.
A enorme dívida pública que o país contraiu nos últimos anos, não serviu para desenvolver o país; tendo sido nulos os resultados dos sacrifícios exigidos aos portugueses, que começam a perder a esperança de um Portugal próspero e justo, para aqueles que atualmente vivem em piores condições, do que os seus progenitores viviam há 30 anos.
Portugal perdeu todas as perspetivas de melhorar a qualidade de vida da sua população; motivo que está a levar à quebra do frágil elo que liga os portugueses à elite dominante; que tem perdido todas as oportunidades, para retirar o país da cauda da Europa, cujo atraso a nível de inovação tecnológica é mais de 20 anos, se comparado com outros parceiros da Europa, e 30 em referência ao (bloco asiático).
Nos últimos 15 anos, os portugueses foram o povo que mais empobreceu na União Europeia; com grande incidência na pobreza infantil e jovem; precisamente aqueles, que vão ter que pagar a monstruosa dívida pública, que a última geração de governantes contraiu, mas que não a utilizou para desenvolver o país.
A pobreza prolongada a que se junta uma taxa de desemprego jovem elevada, tem sido a impulsionadora da maior taxa de emigração dos países da União Europeia, que também é responsável pela elevada quebra da natalidade em Portugal, que dificilmente inverterá esta tendência nos próximos anos; porque não existem condições apelativas para travar a emigração por um lado, e por outro criar condições que estimulem o regresso dos nossos emigrantes; que nos últimos anos constituem a elite da migração mundial, levando para fora o melhor que as nossas Universidades produzem.

O Tratado de Zamora (5 de outubro de 1143) é e deveria ser o dia de Portugal.
É neste contexto que coloco a questão; se terá valido a pena a mudança de regime de uma monarquia constitucional, para uma república através de um sangrento regicídio; sendo do conhecimento de todos os portugueses, que esta última falhou por todos os motivos que acima referi.
Portugal está hoje muito mais assimétrico e com escandalosas desigualdades, porque o regime não cumpriu com os portugueses o que lhes vem prometendo há 115 anos sucessivos.
Neste dia 5 de outubro, Portugal está dividido em duas opções distintas; que é os portugueses continuarem na rota da pobreza sem retorno, ou retirar o seu querido país do alçapão em que caiu há 115 anos; lembro que das 10 Nações mais ricas da Europa, 7 vivem em regime monárquico.
Nos últimos anos 15 anos Portugal alienou todo o património relevante, que seria imprescindível para recuperar a nossa economia, e retirar os portugueses do fosso de pobreza em que nos últimos 51 anos, as sucessivas elites políticas o colocaram; com uma excepção do infelizmente (curto governo de Sá Carneiro), que prometia devolver Portugal aos portugueses.
Apenas menciono o caso da EDP, Companhia das Águas, Bancos, CTT etc.; que levou a que um em cada três jovens licenciados, tivesse que procurar a sua sobrevivência além-fronteiras, contraindo assim um enorme déficit para com o povo português; que perdeu a autoestima e a confiança naqueles, a quem atribuem a responsabilidade da pobreza, que atingiu mais de 5 milhões de portugueses.

J. Vitorino – Jornalista – Diretor