EDITORIAL: 2026 Ano da Esperança Renovada, por J. Vitorino

                                                      

Os portugueses não têm motivos para grande otimismo, mas devem encarar 2026 como o “um ano de esperança renovada”, imprescindível para que o nosso país descole da pobreza, que nos últimos anos atingiu grande parte da sua população.

 

Portugal regrediu em padrões essenciais para o nosso desenvolvimento; para o qual contribuiu a alta taxa de emigração de mão de obra qualificada nos últimos anos, os salários mais baixos praticados na Europa e também, alguma falta de resiliência que é a consequência direta da quebra de investimento, e perspetivas pouco animadoras de mudança a não ser que tudo venha mudar, mas os portugueses não estão muito optimistas diga-se.

 

Aos deserdados da “democracia”, que são os milhões de pobres existentes no nosso país, ainda lhes resta uma ténue expectativa de que o futuro lhes seja um pouco mais promissor; uma decisão que ainda continua nas mãos, de quem há 50 anos tem ditado o destino deste país.

 

Portugal tem sido governado pelos mesmos partidos políticos, que o sujeitaram a uma maré de imprevisibilidade e de interesses, a que se junta alguns fatores externos como o caso da epidemia; não falo da crise económica mundial 2008/2015, de onde todos os países saíram à exceção de Portugal; portanto, tem que existir uma causa para o efeito.

 

Muitas das instituições que têm a cobertura de constitucionalidade, (Fundações e subvenções) estão há muito tempo desenquadradas da realidade portuguesa, porque Portugal está a cair muito rapidamente em pobreza sem retorno, com o mais baixo desenvolvimento nos últimos 20 anos, que é um entrave à nossa recuperação económica, fundamental para dar esperança às futuras gerações.

 

A nossa sociedade está dividida entre ricos e pobres, com os últimos em manifesta desvantagem; em consequência das políticas económicas e sociais que têm sido ajustadas às teorias partidárias; nunca existindo um consenso de convergência para dar esperança às nossas crianças que continuam a ser as mais pobres da Europa ocidental; uma marca negativa para quem nos representa lá fora (Corpo Diplomático), e os nossos emigrantes que muito dignamente representam o seu país.

 

Só um entendimento entre as maiores forças políticas, abrirá o caminho para erradicar a pobreza em Portugal; só que parece que isso não irá acontecer, pelo que os portugueses já sabem o que os espera.

 

Há anos que o crescimento é tímido e envergonhado; tenho residência no mundo rural e das pescas na zona do litoral Oeste, onde a atividade é em grande parte assegurada pela 3ª idade, porque os jovens ou emigraram ou estão há anos desativados a receberem subsídios de desemprego; cabendo aos idosos (alguns já estão desatualizados, pouco produtivos e sem recursos para aquisição de maquinaria nova), a terem que trabalhar a terra para reforçarem as miseráveis reformas que recebem.

 

É urgente uma dinâmica que desperte os portugueses para o trabalho e a produtividade, complementados de incentivos materiais; o atual governo não deve apenas preocupar-se com os que têm um pouco mais, mas implementar medidas para nivelar para cima os que têm menos; e não esconder as verdadeiras causas da pobreza em Portugal; que têm rosto, nomes e destinatários; muitos deles integravam até há poucos anos a classe média do nosso país; que é a mais produtiva, e a que pode assegurar a sustentabilidade de um Portugal mais próspero e justo.

 

O desequilíbrio entre ricos e pobres, está na origem de muito do descontentamento que não beneficia o desenvolvimento do nosso país, que ainda está sufocado por grupos que não abdicam dos privilégios, que adquiriram durante anos à custa do empobrecimento da grande maioria dos portugueses; se esta situação não for invertida, então a incerteza continuará a sobrepor-se à esperança.

 

Muitos dos nossos pobres, foram recentemente extraídos à classe média; sendo urgente a sua recuperação, para ajudarem na difícil tarefa de colocar Portugal nos caminhos da sustentabilidade económica, e suporte da enorme dívida pública que asfixia o nosso crescimento.

 

Os portugueses aguardam que 2026 seja o ano da esperança e reposição da justiça; os nossos jovens, crianças e idosos, não esperam menos de todos nós.

J. Vitorino – Diretor do Jornal Digital Vila de Rei