Portugal foi o país que no passado, mais proveito tirou da sua posição marítima; sendo atualmente o que menos vantagens colhe, não obstante ser o país da União Europeia, que mais área de mar tem sob seu controle; mas pouco tem servido aos portugueses este manancial de riqueza desaproveitada, em que o mar e a área agrícola que possuímos, chegava para que os portugueses fossem dos povos mais ricos da Europa.
O nosso país ficou descompensado pela vaga de emigração que nos últimos anos afetou o nosso desenvolvimento; porque muitos dos que partiram eram quadros qualificados, cuja experiência poderia ter sido aproveitada na exploração marítima e agrícola, para transformar Portugal num país rico e justo.
A situação não está fácil, em consequência do imparável avanço tecnológico em curso; estando o drama reservado para aqueles que se encontram na proximidade da reforma ou com insuficiente escolaridade, que não é compatível com as exigências do mercado de trabalho face às novas tecnologias de ponta.
Muitos que se encontram no desemprego desistem de procurar trabalho, e optam por receber indemnizações; outros ainda têm vínculos às empresas, mas o boom tecnológico colocou-os à margem por falta de adaptabilidade.
Nos últimos anos, milhares de trabalhadores foram forçados a aceitar a perda do posto de trabalho, com o pretexto de que já não se enquadram nos padrões exigíveis à sobrevivência das empresas.
Alguns dos seus familiares, brevemente também se vão encontrar nas mesmas condições; sem mais ajudas porque já foram esgotadas, depressa obriga aos primeiros por uma questão de solidariedade familiar, a repartir com eles o que receberam pela perda do posto de trabalho; em alguns casos, sem lhes terem sido dadas alternativas.
Mas o boom tecnológico terá no futuro outras vítimas como alvo; quando milhares de funcionários públicos e do setor privado forem colocados em regime de mobilidade ou pausa de atividade, com pesados cortes nos rendimentos que põem em risco a sua subsistência e de seus familiares.
Mas Portugal ainda tem recursos que podem ser ativados, a exemplo do que fez no passado; “Sines é uma “Grande Porta Atlântica” que nos pode trazer grandes vantagens” se fosse transformado num “Offshore Marítimo” até porque, é o maior e mais bem posicionado porto Atlântico de águas profundas, um tesouro que Portugal não pode perder.
Nenhum outro país europeu goza deste privilégio; pela posição geográfica tem todas as condições, para ser um grande polo de atividade marítima europeia, a que se juntaria a Norte o Porto de Leixões.
O desenvolvimento na agricultura e nas pescas exige um grande investimento, onde a maquinaria agrícola e barcos de pesca estão completamente ultrapassados; uma situação que só o Estado poderá fazer o arranque inicial, porque as pequenas e médias empresas não conseguem responder com a brevidade que o momento exige.
Portugal terá que responder em força para sairmos do estado de letargia em que o nosso país se encontra; e só a rotatividade económica pode criar riqueza que é a pedra basilar de uma democracia, para que todos possam beneficiar dela; é urgente travar a saída dos portugueses por motivos de pobreza, sendo este o paradigma que é preciso inverter.

J. Vitorino – Jornalista Diretor
Ex-emigrante no Reino Unido