COMUNICADO de IMPRENSA: APDPróstata alerta que o acesso a tratamentos inovadores pode demorar até dois anos e meio e que 62% dos hospitais públicos falham tempos de resposta garantidos em oncologia.
A Associação Portuguesa de Doentes da Próstata (APDPróstata) alerta para as desigualdades regionais no acesso ao tratamento do cancro da próstata em Portugal, o tumor mais frequente no homem, com mais de 7 300 novos diagnósticos e cerca de 2 000 mortes por ano, segundo dados de 2022.¹,² Segundo os dados mais recentes disponíveis, de 2019, a taxa de sobrevivência a este cancro varia cerca de sete pontos percentuais entre o Norte (98%) e o Alentejo (90,9%).³ Uma diferença que a associação considera “inaceitável” e que não se explica pela biologia da doença, mas pelo acesso desigual aos cuidados de saúde.
De acordo com o relatório Cancer Country Profiles 2025, da OCDE e da Comissão Europeia, 62% dos hospitais públicos portugueses excederam, em 2023, os tempos máximos de resposta garantidos (TMRG) para oncologia.⁴ A isto soma-se um atraso médio de dois anos e meio na comparticipação de medicamentos inovadores após aprovação europeia, segundo dados de 2020,⁵ um intervalo que, para doentes em fase avançada, pode ser fatal. A distribuição desigual de equipamentos de radioterapia entre regiões piora o cenário para quem vive fora dos grandes centros.⁴,⁵
A APDPróstata sublinha ainda que tratamentos inovadores devidamente prescritos por médicos especialistas são, por vezes, negados aos doentes nos seus hospitais de residência devido a decisões administrativas locais. Na prática, isto obriga a deslocações exaustivas entre regiões e deixa para trás quem tem menos recursos ou dificuldade de mobilidade.
José Graça, vice-presidente da APDPróstata e sobrevivente de cancro da próstata, recorre à sua própria experiência para ilustrar o problema: “Fui diagnosticado em julho de 2014 e operado logo em setembro, um percurso rápido que só foi possível porque tinha seguro de saúde. Sei de tantos outros homens que, dependendo exclusivamente do sistema público, esperam vários meses por uma cirurgia que poderia ter salvo mais tempo de vida ou até a própria vida. A sobrevivência não deveria depender do código postal ou do rendimento de cada um.”
José Graça manifesta ainda preocupação com a resposta das administrações hospitalares: “As administrações hospitalares tendem a desvalorizar este problema, como se fosse uma invenção dos doentes. Mas é real, é doloroso e é motivado por burocracias que travam tratamentos que nem sequer representam um custo insustentável para o Estado.”
Às autoridades de saúde, o vice-presidente da APDPróstata deixa três apelos concretos: “Pedimos que os tempos de espera garantidos sejam cumpridos, que o acesso à inovação terapêutica não demore anos e que o rastreio seja uma realidade a curto prazo. A equidade não é um ideal filosófico; é uma escolha política e de gestão.”
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Jornal Digital Vila de Rei
J. Vitorino – Jornalista Diretor