As forjas da vida, por J. Vitorino

De onde vieram a maioria dos elementos essenciais à vida na Terra?

 

Para esta questão, a ciência só encontra uma resposta; as essências da vida foram forjadas dentro das fornalhas das Estrelas de neutrões, que depois de atingirem dezenas de milhões de graus celsius, explodem e transformam-se em Supernovas; expelindo a maior parte da matéria, enquanto a remanescente se contrai até ao ponto de não deixar passar a luz.

A Supernova Cassiopeia – A

Os Astrónomos e Astrofísicos, estudam há dezenas de anos a origem dos elementos responsáveis pela vida na Terra, concentrando uma especial atenção nas Estrelas de neutrões mais periféricas do nosso sistema Solar, e a conclusão a que chegaram foi surpreendente.

As Supernovas podem ter desempenhado um papel fundamental na origem da vida na Terra, por toda a Galáxia, e seguramente em todo o Universo.

Devido ao seu estado evolutivo único, a Nebulosa Cassiopeia “A” (uma Estrela que explodiu) é uma das mais intensamente estudadas, em busca desses remanescentes de supernova.

Uma nova imagem do Observatório de raios-X  Chandra, a NASA mostra a localização de diferentes elementos nos restos da explosão: silício vermelho, enxofre amarelo, cálcio verde e ferro roxo, foram captados pelo Chandra com intervalos de energia estreitos; permitindo a criação de mapas de localização onde a onda da explosão é vista como um anel exterior azul.

Os telescópios de raios-X como é o caso do Chandra, são para estudar remanescentes de supernovas e os elementos que produzem; onde as temperaturas geradas são extremamente elevadas, atingindo dezenas de milhões de graus; mantendo as temperaturas milhões de anos após a explosão da Estrela.

Isso significa que os remanescentes brilham muito mais em comprimentos de raios X; sendo a observação indetectável com telescópios refletores.

Os dados de Chandra X, o mais distante e famoso Radiotelescópio em orbita indicam que a Supernova Cassiopeia A, produziu quantidades prodigiosas de ingredientes cósmicos chave para o desenvolvimento da vida, expelindo cerca de 10 mil massas terrestres de enxofre, e cerca de 20 mil massas terrestres de silício.

Quanto ao ferro que esta Estrela deixou escapar quando explodiu, tem cerca de 70.000 vezes o da Terra, e um milhão de massas terrestres de oxigénio; sendo o total dos elementos ejetados para o espaço, equivalente a cerca de três vezes a massa do Sol.

Fusão nuclear, a energia do Futuro.

Para além dos elementos mencionados, o espectro eletromagnético do Chandra X detectou e existência de carbono, nitrogénio, fósforo, hidrogénio e oxigénio o que significa, que estão reunidos todos os elementos necessários para produzir DNA; concluindo que a molécula que transporta as informações genéticas, foram encontradas em Cassiopeia A.

Esta Estrela que chegou a ter 15 vezes a massa Solar, sofreu duas explosões titânicas; a primeira ocorreu há vários milhões de anos, e teria perdido cerca de 65% da sua massa; quanto à segunda explosão terá acontecido no ano de 1680, e foi observada pelos Astrónomos da época.

O Observatório Chandra X foi lançado em 1999, o ano em que começou a observar a Cassiopeia A, e os dados que nos transmitiu foram surpreendentes; os elementos base da vida, podem ter sido forjados no interior das Estrelas mais quentes, e depois expelidos pelas Supernovas para o Espaço, onde podem ao fim de biliões de anos encontrar um Planeta, que os desenvolverá como terá acontecido na Terra.

 

J. Vitorino  – Jornalista Diretor 

Astrónomo Amador