A existência de pretendentes ao trono (vacante desde 1910), coloca aos portugueses uma questão; quem teria hoje a legitimidade, para ser rei o de Portugal?

D. Manuel II, o último Rei de Portugal
Como se sabe, a Monarquia foi interrompida em consequência do assassínio do Rei Dom Carlos I e de Seu filho Dom Luís Filipe Príncipe Real; o que levou D. Manuel II o último rei de Portugal, a abandonar o país para o exílio dois anos mais tarde.
Tendo o bárbaro ato sido executado por uma minoria de radicais, e como a República em 115 nunca se submeteu a um referendo, continua a deixar em aberto o regresso à Monarquia constitucional, que era o sistema vigente em Portugal.

Bidonville de Champigny
A comemorar o regicídio; ao centro de chapéu levantado Francisco Herédia (visconde da Ribeira Brava), um dos principais responsáveis pelo assassínio de D. Carlos I e D. Luís Filipe Príncipe Real.
De início, os portugueses pensaram ser um afastamento provisório do jovem Rei, até que a “casa fosse arrumada”; mas os seus defensores internos não mexeram uma única palha, para inverter a trágica situação.
A seguir a conjuntura internacional (primeira guerra mundial determinou), que não existiam condições para o regresso do Rei D. Manuel II.
O que se passou a seguir todos nós sabemos; as revoluções internas a sucederam-se umas às outras num ritmo devastador, com várias Nações a serem destruídas com a primeira grande guerra, em que Portugal também foi tragicamente envolvido; com o país no ponto mais baixo de sempre, seria fácil o aproveitamento de alguém (Salazar), que em nome da ordem governou o país como entendeu, durante mais de quatro décadas.
Hoje todos sabemos, que o atual regime “a república” falhou o compromisso para com os cidadãos portugueses; porque não obstante a monstruosa dívida contraída em seu nome não os tirou da pobreza, e colocou Portugal no ranking dos países mais subdesenvolvidos da Europa, com a mais baixa taxa de literacia, e mantendo há 14 anos sem interrupção, uma alta taxa de emigração de licenciados; o que nos retira a possibilidade de levantarmos Portugal, sem um enorme sacrifício das duas próximas gerações; o que será uma tremenda injustiça, porque não foram as beneficiárias da enorme dívida que esta geração (25 anos) contraiu.
Neste contexto; só um amplo movimento de cidadania poderia devolver Portugal a um regime monárquico, o que não deverá acontecer nos próximos 50 anos (duas gerações), porque os portugueses foram deseducados e (bloqueados no Art 288 da Constituição da República) para não poderem ter um Rei.
Todas as vantagens para os portugueses de uma Monarquia Constitucional, que foi interrompida em 1910, teriam que começar imediatamente a ser ensinada nas escolas de infância e primária, para que as duas gerações seguintes, compreendessem a história do seu país; e o que se passou após o regicídio de 1908, para livremente poderem escolher em referendo a melhor opção para o seu futuro.
O declínio do Império
Contam-se pelos dedos de uma mão, aqueles que nascidos num país rico tivessem à época algum interesse em vir para o nosso país, que acabava de iniciar a mais dramática fuga para a Europa, Brasil, EUA, Argentina e resto do Mundo; o drama que ficou tristemente conhecido como “O SALTO”, quando aldeias inteiras ficaram quase desertas e a pobreza extrema em Portugal atingiu o limite.

O Bidonville de Champigny
A revolta silenciosa dos portugueses por motivo da guerra no Ultramar, levou a que Salazar utilizasse a polícia de Estado contra o descontentamento popular; o que obrigou muitos portugueses a emigrar, até porque não existiam outras alternativas e eu fui um deles.
A República que se resguardou no Artigo 288 acima referido, e com o qual empobreceu e endividou o país, não deixou aos portugueses uma ténue esperança de um regresso à Monarquia, que os retirasse de um tremendo cativeiro onde a única opção era a fuga.
Em todo o Mundo se sabia que Portugal estava no ponto mais baixo da sua História, e tinha caído no descrédito total; tendo sido poucos os portugueses que tiveram autorização para sair as fronteiras, o que transformou o nosso país num verdadeiro “Arquipélago de Gulag”.
Entretanto vindos do exílio decretado há mais de 130 anos, chegava a Portugal (com a autorização do Estado Novo), uma família que logo se assumiu como pretendente ao trono de Portugal; numa estratégia provavelmente concertada entre acolhedores e acolhidos, que viria a penalizar gravemente o futuro dos portugueses; que por na sua esmagadora maioria não conhecerem a História do seu país, foram involuntariamente aliados de Salazar ao não lutarem por uma Monarquia Constitucional.
Portugal que ao tempo se degradava em pobreza e descrédito, foi inclusive condenado nas Nações Unidas por unanimidade dos Estados pelo caudal de pobreza em que o povo português estava mergulhado, e o cerco apertava-se contra Portugal com o país a ficar no isolamento com exceção da Rodésia e da África do Sul; o que deu origem a uma onda de descontentamento interno, com a (polícia de defesa do Estado) a prender pessoas num simples critério de suspeição, que deu lugar a uma dramática e desordenada fuga do país, que começou a formar guetos um pouco por toda a Europa; sendo o mais tristemente famoso, o “Bidonville português de Champigny” em França.
É neste contexto que a história de Portugal tem que ser lembrada no dia 6 de janeiro, para que as gerações seguintes possam avaliar e julgar, o papel desempenhado pelas partes; ou para ser mais claro, que nestas condições quem não se colocou ao lado dos portugueses, ou que apenas se remeteu ao silêncio e conforto, não pode reclamar para si algum papel preponderante na história futura do nosso país, porque nunca se assumiram como uma alternativa para poderem servir Portugal e os portugueses.
Deixo aqui um desafio a todos os pretendentes à Coroa, para que seja sua a iniciativa, de um movimento de cidadania pacífica, visando esclarecer os portugueses da incomensurável vantagem, em se viver em regime monárquico; lembro que, dos 10 países mais ricos da Europa 7 são Monarquias
OBS: À memória de D. Carlos I de Portugal, do Príncipe Real Dom Luís Filipe, e de seu irmão D. Manuel II o último Rei de Portugal; e também recordo os milhões de portugueses, que ao longo da nossa história deram generosamente as vidas pelo seu querido país; não esquecendo as nossas crianças e jovens de hoje e futuras gerações, que vão herdar da atual, uma mão cheia de nada.

J. Vitorino – Jornalista Diretor
Jornal Digital Vila de Rei