Uma viagem ao futuro, por J. Vitorino

 

A atual civilização não pode ser perdida, porque nunca mais iriamos ter condições para reiniciar o longo processo, que deu origem à primeira magia tecnológica no Planeta; entre várias razões, estão os recursos energéticos que já estão a escassear, sendo imprescindíveis para chegarmos ao vértice da tecnologia. 

 

Os humanos ainda estão muito distantes dos objetivos “traçados” pelos cientistas, que têm trabalhado em completo secretismo para dar à nossa espécie uma derradeira oportunidade de sobrevivência; quando chegar o momento, um Governo Planetário vai ser determinante na gestão dos recursos energéticos, cuja escassez se vai sentir a partir dos meados deste século.

 

Controlar a natalidade, será no futuro a única solução para fazer frente à falta de comida em muitas regiões do globo; uma consequência da escassez da água em mais de metade do planeta, tendo efeitos devastadores na produção alimentar, a que se junta a alteração drástica do clima terrestre, que já começou a dar sinais preocupantes um pouco por toda a parte.

 

Se a espécie humana conseguir sobreviver; o homem do futuro em nada se parecerá com o atual, porque vai pertencer a uma civilização quase perfeita, onde a conflitualidade será praticamente nula.

No alto de uma colina, um menino comtempla a Cidade completamente desabitada, e tomada pela floresta por falta de população.  

 

Os grandes cérebros vão ser salvaguardados por centenas ou talvez milhares de anos para posterior reutilização; os nomes darão lugar a números que nos identificam com implantação de um “chip” à nascença, registando todos os nossos movimentos, que serão recolhidos numa central de dados para preservação após o final das nossas longas vidas, que em média terão entre 500 e 1000 anos; e toda a informação da vida de um humano, caberá dentro de um chipe do tamanho da cabeça de um alfinete.

 

Muitas palavras não farão parte do vocabulário humano futuro, porque não fazem sentido numa civilização quase perfeita.

 

Com a revitalização das células, o homem poderá elevar a 10 vezes mais a sua esperança de vida; que será decidida de acordo com a sua utilidade pública, sendo a reposição demográfica feita em baixa escala; poupando ao planeta os recursos necessários para manter o equilíbrio alimentar e energético, imprescindível para manter em curso o grande projeto; que é encontrar um habitat com condições semelhantes, à que tinha a Terra antes de aparecer a espécie humana.

 

“Deus está com os Olhos Postos no Homem”; só uma Civilização Perfeita nos permitirá receber no futuro o Seu Contato; a partir de então, um Novo Culto se sobreporá a todas as Religiões; os próximos três mil anos serão cruciais, para mostrarmos toda a “magia tecnológica” que nos tire da prisão Terra.

 

Sujeitos a rigorosa seleção, serão poucos os que podem partir; porque a grande epopeia é para salvar a espécie não a humanidade. Os exploradores vão manter o contato com os que ficam; que poderá ser ao fim de centenas ou milhares de anos, porque o tempo a viajar no espaço é muito mais lento. A Terra terá o pico da população dentro de 50 anos (15.000) milhões, mas começará a regredir drasticamente com a crise energética e alimentar, que começa por ser combatida com a baixa da Natalidade.

 

O avanço tecnológico a longo prazo, será todo ele direcionado para salvar a espécie humana.

 

Em 2028 o SKA (Square Kilometre Array) o maior radio telescópio do Mundo, começa a varrer o cosmos em busca de um local compatível com as nossas exigências de sobrevivência; e também terá a missão, de possíveis contactos com inteligências extraterrestres, que poderão ser máquinas inteligentes deixadas pelos seus criadores já extintos; porque não sobreviveram às alterações climatéricas do seu Planeta de origem, ou em conflitos pela obtenção de matérias primas imprescindíveis à sobrevivência da sua espécie.

 

É o princípio da grande “odisseia” humana no caminho das Estrelas, em busca da sobrevivência, onde as grandes viagens de Vasco da Gama, Fernão de Magalhães e de Colombo comparadas com esta, irão parecer uma ida marítima a Sagres e Cadiz, de onde no passado partiram estes grandes Navegadores em busca de novos mundos.

 

Joaquim Vitorino – Astrónomo Amador

Jornalista Diretor do Jornal Vila de Rei

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