Portugal tem sido nos últimos anos um dos países europeus mais atingidos pelos incêndios de verão, que deixaram para trás um rasto sinistro em vítimas mortais, e a maior área ardida de que não havia memória no nosso país.
A origem está em parte no aquecimento global, que está a transformar a Terra num Planeta enfurecido e selvagem; o processo foi desencadeado, e será extremamente difícil de o travar, porque os países com grande peso industrial, e que dariam o maior contributo para atenuar o “holocausto do ambiente” que se aproxima, não estão dispostos a sacrificar as suas políticas de crescimento, que estão inevitavelmente ligadas à agressão do nosso habitat.

Cidade deserta – completamente desabitada
“A Terra Berço do Homem”, está a ser vítima de uma feroz violação; não só a atmosfera que respiramos e os solos que nos alimentam, mas sobretudo a poluição dos Mares e Oceanos, que estão a ser desventrados para a extração de petróleo e outros minérios, para alimentar os formigueiros humanos que vivem numa civilização sem regras, e em alguns países sem planeamento demográfico, que não se compadece com o ecossistema global.
Existem situações que já não têm retrocesso, como as dezenas de milhares de outras espécies que levámos à extinção e que não falamos nelas, porque somos todos culpados pelo seu desaparecimento; sacrificámo-las em nome do desenvolvimento tecnológico, que não levou em conta os danos colaterais causados pelas três revoluções industriais, em que a primeira já começou há mais de 300 anos.
As cheias e vagas de calor dos últimos anos, e recentemente no centro da Europa e também no Reino Unido, provocadas por tempestades espontâneas, são só pequenos indícios do que nos espera porque o pior ainda está para vir.
Alguns povos no norte de África são fustigados com secas prolongadas, e enfrentam grandes dificuldades no abastecimento de água; sendo apenas o primeiro alerta, se não houver uma viragem na persistente utilização dos combustíveis fósseis, que são os principais agressores do ambiente; que deveriam ter sido substituídos gradualmente por outros, para não ser um entravo à revolução tecnológica em curso, necessária para no futuro podermos salvar a espécie humana.
Note-se; que eu não estou a seguir o raciocínio dos populistas que utilizam o tema climático para chegar ao poder; é que, a defesa do clima tem que ter uma avaliação cientifica, com perdas e ganhos contabilizados nas várias vertentes; uma delas é a evolução tecnológica que não pode parar, porque os países em crescimento que não respeitam o clima, teriam enormes e perigosas vantagens em detrimento do Ocidente, se nós parássemos o nosso crescimento radicalmente em nome de uma energia limpa; porque o nosso desenvolvimento tecnológico, está em grande parte ainda baseado nas energias fósseis.
Lamentavelmente o populismo climático não se expõem a defende-lo na China ou na Índia que são os países que mais poluem; a que se junta os Estados Unidos que por ironia, possuem das maiores reservas de petróleo do mundo, às quais juntaram as da Venezuela numa perspetiva do presidente Trump; que vieram transformar em letra morta, todos os (badalados) acordos de Paris em 2015.

Cidade asiática sob vaga de poluição, 10 vezes superior ao concebível à sobrevivência humana.
O degelo nos polos indiciam que num futuro mais longo, nações inteiras terão que sair das suas fronteiras para fugir à subida das águas, que irá provocar uma alteração climática a nível global; onde o abastecimento e produção alimentar serão muito penalizados.
Noutros locais, a escassez da água obriga as populações a fixarem-se à beira dos grandes rios, que em pouco tempo serão poluídos e as suas águas contaminadas; obrigando a consecutivas deslocações de povos, que serão “empurrados para guetos dentro dos seus próprios países”, onde inevitavelmente acontecerão lutas pela sobrevivência; que como consequência haverá violação dos direitos humanos, que nestes casos extremos serão inevitáveis.
Os cientistas sabem o que têm pela frente e lançaram o alerta, mas pouco mais podem fazer porque não têm poder decisório para tentar inverter o mal que está feito, mas que ainda poderia ser atenuado se as grandes potências o decidirem, porque a escolha será simples; ou contribuem para a salvação do Planeta Terra, e o futuro dos seus povos cumprindo os últimos acordos de Paris sobre o clima, sabendo que a catástrofe que estão a provocar, levará a médio prazo ao desaparecimento da espécie humana.
A NASA e a ESA estão a unir os esforços, para continuarmos por aqui mais uns milhares de anos; até conseguirmos tecnologia para sairmos em busca de um outro planeta com as condições mínimas para podermos dar continuidade à espécie humana.

Os Sink Hole (acima na foto), são uma consequência da extração de minerais, para alimentar a revolução industrial em curso; é um fenómeno de que poucos cientistas falam, são os “Sinkholes” (buracos no solo) que estão a aparecer um pouco por toda a parte, em que uma das causas pode ser o desventrar contínuo da crosta terrestre em busca de minérios e petróleo; que pode causar abatimento de terras em grande escala, sendo no fundo dos mares e Oceanos o mais preocupante; pois pode originar marmotos que levarão à destruição de Cidades costeiras com milhões de habitantes.
Nunca existiram no Planeta tantas zonas em risco e outras com danos irreversíveis; limitar os estragos é tudo o que se pode fazer e terá que ser quanto antes, onde as mentalidades terão que mudar 360 graus para remediar um pouco o mal que está feito, pelo que vamos aguardar o que se vai decidir em reunião de emergência sobre o clima, que se aguarda que seja agendada pelas Nações Unidas.
Vivemos numa civilização do plástico que leva milhares de anos para se degradar, e andamos em carros e vestimos roupas também de plástico; e passamos em breve a viver do plástico que compõe as lixeiras oceânicas e em terra; que levará inevitavelmente a que no futuro, também será de plástico a nossa alimentação.
Quanto às energias renováveis como a elétrica, terão uma utilização provisória; porque a fusão nuclear será a única, que salvará a Terra de um holocausto climático.

Joaquim Vitorino – Diretor
Jornal Digital Vila de Rei