Palestra em Castelo Branco – Nota de Imprensa

 

Palestra na Biblioteca Municipal António Salvado reuniu três investigadores em torno da vida e do legado do Bispo da Guarda

 

A memória de D. João de Mendoça (1673-1736), Bispo da Guarda e uma das figuras de maior relevo da vida religiosa, cultural e artística da região no século XVIII, foi evocada esta segunda-feira, dia 31 de Agosto, numa iniciativa que teve início com uma missa em que se  sufragou a alma do prelado, durante a qual o sacerdote celebrante fez questão de recordar, na homilia, a sua missão pastoral e o papel que desempenhou enquanto bispo da Guarda, jurisdição eclesiástica na qual se inseria então Castelo Branco.

 

A iniciativa, promovida por Pedro Rego da Silva, através da Associação Raia Gerações (Luís Duque-Vieira), com a colaboração da Sociedade dos Amigos do Museu Francisco Tavares Proença Júnior (Maria Celeste Marcelino Capelo) e apoio da Câmara Municipal de Castelo Branco, prosseguiu na Biblioteca Municipal António Salvado, com uma sessão dedicada aos 290 anos da morte de D. João de Mendoça, que reuniu cerca de quatro dezenas de pessoas.

 

A sessão contou com intervenções de Pedro Miguel Salvado, Ricardo Nunes da Silva e Pedro Rego da Silva, que abordaram diferentes dimensões da vida e do legado do prelado.

 

Pedro Miguel Salvado evocou a memória de Luís Pinto Garcia, investigador que se dedicou ao estudo de D. João de Mendoça e que, em 1942, publicou uma biografia do prelado, contribuindo para recuperar a figura de uma personalidade que permanecia praticamente esquecida.

 

Ricardo Nunes da Silva centrou a sua intervenção no inventário e no recheio do Paço Episcopal, dando a conhecer a dimensão do património reunido por D. João de Mendoça e o universo material e artístico em que se inseriu. O acervo, avaliado à época em cerca de 30 milhões de réis, incluía livros, pintura, louças, tapetes, peças de numismática, objectos em prata e ouro, relicários, relíquias, relógios e diversos objectos de carácter exótico.

 

Pedro Rego da Silva abordou o percurso académico e o cursus honorum de D. João de Mendoça, desde os seus anos na Universidade de Coimbra até à sua afirmação como eclesiástico e prelado, passando pelas diferentes etapas da sua vida em Estremoz, Évora, Lisboa, Guarda, Roma e Castelo Branco. A intervenção destacou ainda a profunda ligação do bispo a Castelo Branco e o seu papel na criação do actual Jardim do Paço, um dos mais importantes conjuntos escultóricos barrocos da cidade.

 

Apesar da sua importância enquanto eclesiástico, jurista, homem de cultura e coleccionador, D. João de Mendoça permanece ainda uma figura insuficientemente estudada. A sessão procurou, por isso, contribuir para o aprofundamento do conhecimento sobre a sua vida, a sua obra e o contexto histórico e cultural em que desenvolveu a sua actividade.

 

A evocação ganha particular actualidade numa altura em que o Paço Episcopal de Castelo Branco voltou a despertar a atenção pública através da sua participação num concurso televisivo dedicado ao património. Recordar D. João de Mendoça é também recordar a figura que esteve na origem da construção e valorização de um dos mais importantes legados patrimoniais da cidade.

 

290 anos depois da sua morte, a iniciativa pretendeu contribuir para que D. João de Mendoça deixe de ser uma figura secundária na memória histórica da região e para estimular novos estudos sobre uma personalidade que marcou profundamente a história cultural de Castelo Branco, da Beira Baixa e do país.               

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Jornal Digital Vila de Rei

J. Vitorino – Jornalista Diretor

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