Está a espécie humana no caminho da perfeição? Alguns cientistas e filósofos pensam que será esse o nosso desígnio, para no futuro atingirmos o centro da nossa Galáxia, e a seguir nos expandirmos por todo o Universo; mas os humanos ainda estão muito longe de alcançar o pináculo da perfeição, até porque ultimamente estamos a regredir nesse objetivo, enquanto aumenta o nosso desenvolvimento tecnológico.
Uma civilização perfeita não implica que seja baseada na tecnologia; que deu um enorme salto nas últimas décadas, o que tem contribuído para esgotar as reservas energéticas, necessárias para um dia podermos partir para as Estrelas, em busca de um habitat semelhante à Terra, para nele colocarmos a nossa espécie a salvo da extinção.
O Homem é um caso único na complexidade da Natureza, porque só ele a sabe entender; onde é pressuposto ter um papel determinante na condução do “programa”, que envolve a espécie humana; existindo uma possibilidade de a Terra teria sido a escolha, como incubadora do homem há muitos milhões de anos.
Estas são as questões que a filosofia nos seus variados campos tem colocado, para irmos ao encontro de muitas perguntas que ainda não tiveram resposta; e que a mais relevante de todas seria um dia compreendermos quem somos, e porque fomos os “selecionados”, se somos dos últimos a aparecer na escala da evolução.
Provavelmente o homem terá recebido algumas mensagens, quando começou a abandonar as “Grutas do Lago Tanganica”, e seguiu em todas as direções do Globo terrestre; é provável que por algum motivo, ainda não esteja à altura de as receber; ou porque frustrámos as espectativas depositadas em nós, ou não evoluímos como inicialmente estaria previsto.



Os Lagos de água salgada em África e na Índia são apontados pela ciência, como tendo o local onde surgiram os elementos base que deram origem à vida no Planeta Terra.
Em filosofia determinista nada nas nossas vidas é fortuito, porque tudo o que nos acontece não será um mero acaso; não sendo de excluir que barreiras nos tenham sido colocadas, pelo que tivemos de passar ao plano seguinte, para atingirmos metas e objetivos que ainda não conseguimos cumprir.
É provável que não fossemos inicialmente incluídos no “programa”, e que tenhamos surgido após um imprevisto dano colateral; tendo a nossa evolução vindo a ser controlada, face ao perigo que representamos para as outras espécies e nós próprios.
Desde que abandonou as cavernas no “Lago do Tanganica”, o homem tem deixado grandes estragos por onde passa; sendo o Século XX o mais marcante de toda a história, onde mais de 600 milhões morreram vítimas de conflitos, ou em consequência deles um pouco por todo o Mundo; o que talvez tenha rompido com a confiança que foi depositada no homem, quando este foi eventualmente adotado.
Digo adotado, porque quando surgimos já a vida existia no Planeta há mais de 1000 milhões de anos; e o homem vem de um processo evolutivo, que teve início após a queda do Grande Cometa no Yucatán Golfo do México há 65 milhões de anos; e quando a espécie aparece há 1,5 milhões de anos, constituiu de imediato um perigo para si próprio e para as outras espécies.
Ainda hoje predominam marcas inconfundíveis da sua passagem pelas cavernas, que se manifestam pelo ódio e intolerância entre grupos e Nações; e mais tarde entre cultos e religiões que chegaram até aos nossos dias, e que nem os próprios sabem o porquê, de terem sido por elas arrastados.
Se é pressuposto que o homem tenha algum objetivo ou missão a cumprir, então terá que trilhar um longo caminho para chegar a uma “Civilização Perfeita”; onde a Igualdade, a Fraternidade e a Solidariedade seja o mote, que o homem levará quando partir para as Estrelas; para encontrar um Planeta ou mesmo vários, onde possa colocar a sua espécie a salvo; e se refletirmos no avanço da tecnologia dos últimos 70 anos, compreendemos que os humanos se encontrem numa fase de transição comportamental; com avanços e recuos, onde a razoabilidade está a perder terreno, com todas as consequências dos muitos conflitos existentes no Globo, com origens territoriais e religiosas.
Existem evidências de que o homem pode estar a viver a última e derradeira civilização na Terra, não obstante ter atingido um nível tecnológico surpreendente; mas ainda não conseguiu conciliar-se com a Natureza e vive permanentemente em conflito com os da sua espécie, e também com os outros animais que connosco coabitam; todas as civilizações que nos procederam não conseguiram atingir o nível tecnológico da atual; no entanto, muitas sobreviveram por milhares de anos.
Os próximos 75 anos, vão ser determinantes para a sobrevivência da espécie humana; onde a escassez energética e alimentar, irá colocar um grande desafio à nossa capacidade e inteligência, para pacificar o Planeta no campo religioso e político; onde será mais que provável a adoção de uma nova ordem económica Mundial, para poder retirar da pobreza extrema metade da população terrestre, que poderá atingi em 2050 12.000 milhões.

Joaquim Vitorino – Astrónomo Amador
Diretor do Jornal Digital Vila de Rei