Uma reflexão sobre Portugal, por J. Vitorino

 

A prosperidade é a principal aglutinadora do orgulho e do patriotismo de um povo; mas não é atualmente o caso português, que nos últimos 20 anos caiu para o ponto mais baixo de sempre; estes são os dois sentimentos essenciais, para que todos sintam que valeu a pena, terem nascido ou optarem por viver neste belo país.

 

Questionados, 60 por cento dos que aqui nasceram, dizem que gostariam que as mães os tivessem dado á luz num outro país; sendo esta desilusão expressa por muitos que ultimamente tiveram que sair do seu país, em busca de um futuro mais promissor para si e seus descendentes; muitos deles irão cortar as raízes com Portugal, quando os seus ascendentes perecerem.

 

Vendido a retalho (onde se inclui as melhores empresas como a EDP, Bancos e Companhia das Águas), e mergulhado numa das maiores dívidas públicas do mundo, Portugal entrou em crepúsculo de desenvolvimento; uma situação, que terá um desfecho trágico para as futuras gerações.

 

Tudo será uma questão de tempo, que inexoravelmente não vai perdoar àqueles que traíram os ideais e o sonho de um Portugal livre; que foi conquistado com coragem e sacrifícios que não passa pela cabeça daqueles, a quem os portugueses têm entregue o seu destino e das futuras gerações.

 

Os longos 767 anos de Monarquia foram todos eles de altos e baixos, mas com um incontestável sentido de Estado e amor à Pátria; que fez com que um pequeno país de um milhão de habitantes (século XV início dos descobrimentos) se espalhasse pelo mundo.

 

Em 1550 (duas gerações após a descoberta do Brasil), já estavam consolidadas e reconhecidas as posições portuguesas ultramarinas; e aquele que até 1415 estava confinado ao pequeno retângulo atual, Portugal já detinha a incrível capita de um português por cada 140 quilómetros quadrados, se tivermos em conta a área marítima sob o controle das “Cinco Quinas”.

 

Tudo isto, sem os meios de que hoje dispomos em comunicações e transportes; só para estabelecer um paralelo, o feito para aquela época teria a mesma equivalência de os humanos chegarem atualmente à próxima Estrela “Alfa Centauri A”, que fica a 4.364 anos-luz da Terra; e para se ter uma noção da distância, um avião a jato levaria 30 milhões de anos a lá chegar.

 

Os portugueses marcaram a diferença no passado; mas há duas gerações, com forte incidência nos últimos anos, começaram a ser deseducados da sua história, por quem quer esconder o fracasso dos últimos anos, das políticas de desenvolvimento que deveriam ter sido aplicadas, para a longo e médio prazo resultarem em benefício de todos os portugueses.

 

O porquê de os portugueses deixarem o seu país cair a pique nos últimos anos, merece uma profunda reflexão; mas não é um dado novo, porque este “desleixo e alheamento” já vem de longe.

 

Lembro 1910 quando o Rei D. Manuel II queria dirigir-se ao Porto, para ali iniciar o combate aos opositores da rotunda; mas o seu tio Afonso Duque do Porto, apontou-lhe a Ericeira para o caminho do exílio; é que nessa manhã os oficiais do Reino e os seus soldados ficaram na cama, enquanto a “arruaça” iniciava a destruição de uma Nação com uma brilhante história.

 

Decorridos 115 anos e durante este período, grandes patriotas portugueses tentaram inverter o que hoje é inevitável, porque Portugal atingiu o ponto do não retorno; porque a história repete-se com uma subtileza, que até passa despercebida aos mais atentos; a confusão está instalada, só falta a arruaça sair à rua e dirigir-se à rotunda.

 

Portugal precisa de quem nos inspire confiança, e não de alguém que se sirva do país para se promover e aos seus familiares e amigos; sendo uma urgência resgatar o país da situação de pobreza e subdesenvolvimento, para que as próximas gerações não tenha que julgar a atual implacavelmente.

 

OBS: A D. Manuel II – Lisboa Palácio de Belém 1889 Londres 1932 – último Rei de Portugal que lutou no exílio para recuperar a “Glória” dos anos de Monarquia Portuguesa; porque aos portugueses de hoje e futuras gerações, apenas lhe resta o orgulho do nosso passado.

J. Vitorino – Diretor 

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