Uma reflexão sobre 25 de abril 52 anos depois.
Nenhum país europeu caiu tanto em pobreza nos últimos 50 anos como Portugal; uma realidade que nos leva para o terceiro mundismo, já não existindo na Europa por quem nos possamos nivelar. A pobreza material arrastando os portugueses para a perda de outros valores, um drama a que a nossa economia não consegue responder.
É preciso que ninguém se esqueça que Portugal pertence a todos portugueses; mas foi tomado de assalto por gente sem escrúpulos, e os cidadãos já não sabem em quem podem confiar; aceitando a pobreza, e os outros males a ela associados como uma inevitabilidade.
É um culto adquirido para maioria esmagadora maioria dos portugueses (pelas piores razões), que vem viciando o nosso país; que por tudo e por nada vai mendigar à porta da União Europeia; que como resultado vai aumentando a dívida pública, e dependência da (generosidade) dos países ricos, colocando Portugal cada vez mais, numa vergonhosa situação de subserviência.
A desonestidade, ambição e a ganância atingiram o coração do Estado; envolvendo muitos daqueles, que por dever o deveriam defender. A “maioria deserdada” 75% da população, está a dar-se como vencida, face às inúmeras dificuldades que as famílias portuguesas são confrontadas diariamente; onde a oferta de trabalho não é de todo inexistente, mas os portugueses estão a perder o ânimo para trabalhar.
A emigração é a única saída para aqueles que ambicionam um futuro digno para os seus filhos; e que lhes foi negado no país em que nasceram e que tanto amam. Por ironia; o que está a bloquear a recuperação económica do nosso país, são os mais baixos salários da Europa praticados em Portugal; que tem provocado nos últimos anos, irremediáveis assimetrias sociais entre portugueses.
A República portuguesa enfrenta um grave problema, com os corruptos e incompetentes que se infiltraram no aparelho do Estado há várias décadas; não sendo fácil a qualquer governo por termo a esta calamidade pública, sem criar uma rutura com o seu próprio partido; para dar ênfase a este raciocínio, estão dezenas de processos mediáticos existentes; a que se somam diariamente outros, que depois se arrastam até à prescrição; sendo sintomático do país que temos, e da justiça que nos defende.
Nos últimos anos foram arquivados milhares de processos, com o objetivo de descongestionar os tribunais, indo afetar mais de 15% da população; e à medida que chegam outros, serão arquivados na proporcionalidade dos que entram, tornando a justiça em Portugal num poço sem fundo.
A ministra da Justiça e o governo pouco podem fazer, porque chocam com interesses de grupos poderosos que se julgam acima do vulgar cidadão; estigmatizando o país numa “república das bananas”, que há anos espera por um “Sebastião populista”, para meter a casa na ordem.
Os portugueses estão mais pobres e desprotegidos pela justiça e instituições, temos a mais alta taxa de emigração qualificada de todo o Mundo e a maior dívida per-capita; e quanto ao desemprego ao certo já nem sabemos quantos são; porque dezenas de milhares de desempregados, já abandonaram a “Via Sacra” que é a procura de trabalho.
Portugal regrediu em padrões que são essenciais para o nosso desenvolvimento económico; onde se acentua uma grave falta de patriotismo e a fraca educação da nossa população; a nação portuguesa eclipsou em duas décadas (50 anos), todo o prestígio e respeito acumulado ao longo de toda a sua existência.
Sem uma justiça séria e isenta, nenhum país consegue atingir o desenvolvimento e a estabilidade económica que beneficie todos os seus cidadãos; sendo muitos dos privilégios que uma minoria alcançou, em detrimento da grande maioria dos portugueses; lembro que Portugal tem a mais baixa taxa de literacia de toda a Europa, e o maior numero dos seus cidadãos, que aufere o salário mínimo na união europeia.
OBS: Muitos dos nossos pobres, foram recentemente extraídos à classe média; não tendo coragem para estender a mão à caridade, eles perderam tudo com uma única exceção, que é a “dignidade” que ainda lhes resta.
Jornal Digital Vila de Rei
J. Vitorino Jornalista – Diretor