Angelini Pharma Portugal – Comunicado de Imprensa

 

Novo estudo alerta para os custos clínicos, sociais e económicos das doenças do cérebro em Portugal

 

Novo relatório sublinha que mais de metade dos portugueses terá, ao longo da vida, uma doença neurológica ou mental, um valor que poderá chegar a dois terços da população. O custo direto em saúde já ultrapassa os 4,7 mil milhões de euros por ano.

 

A Saúde do Cérebro é um dos investimentos com maior retorno social e económico que Portugal pode fazer, mas continua a ser uma área cronicamente subfinanciada. O alerta foi dado hoje por um painel de especialistas em saúde, economia e políticas públicas, reunido no evento ‘Brain Collective – Cérebros Saudáveis, Sociedades Vibrantes’, promovido pela Angelini Pharma Portugal no 8 Marvila, em Lisboa. A iniciativa foi o palco para a apresentação dos dados do novo relatório Headway “Saúde do Cérebro em Portugal: Um roteiro para o investimento no capital humano”, que analisa o peso das doenças neurológicas e mentais no país.

 

Os números revelam uma realidade avassaladora: as doenças do cérebro são o grupo de patologias mais prevalente em Portugal. No seu conjunto, as condições neurológicas afetam quase metade da população (47,1%). Em paralelo, as perturbações mentais, por si só, afetam mais de uma em cada cinco pessoas. Considerando a prevalência combinada destas condições e a sua evolução ao longo da vida, estima-se que mais de metade dos portugueses venha a ser afetado por pelo menos uma perturbação neurológica ou mental, podendo este valor chegar a dois terços da população.

 

O impacto económico destas condições ultrapassa os 4,7 mil milhões de euros anuais em despesas diretas de saúde. Quando se incluem os custos indiretos, como perda de produtividade e o peso sobre cuidadores e famílias, o valor é substancialmente maior. À medida que Portugal envelhece, este peso tende a agravar-se.

 

O relatório, desenvolvido pelo TEHA Group (subsidiária do think tank The European House – Ambrosetti) em parceria com a Angelini Pharma, mostra também que o sistema de saúde não está preparado para responder à escala do problema. Portugal tem apenas 4,6 neurologistas e 13,6 psiquiatras por 100.000 habitantes, números abaixo da média europeia. No caso da epilepsia, 44% dos doentes não têm acompanhamento médico regular, e persistem lacunas significativas no apoio e na representação dos mesmos. Sem medidas específicas, o aumento da prevalência traduzir-se-á numa maior procura de serviços especializados, em custos indiretos mais elevados e numa pressão crescente sobre os doentes, as famílias e os cuidadores.

 

Para Francisco Ramos, economista da Saúde, os números são inequívocos. “Os 4,7 mil milhões de euros em custos com as terapêuticas aplicadas às doenças do cérebro representam apenas a ponta do iceberg, uma vez que não incluem os custos indiretos com a perda de produtividade e o peso sobre as famílias. Investir na Saúde do Cérebro não é uma despesa perdida; é uma decisão económica inteligente, e os dados provam-no: os retornos podem ir de cerca de 2 euros em epilepsia a 4,5 euros em saúde mental por cada euro investido. Estamos perante uma das mais rentáveis políticas públicas que poderíamos adotar.”

 

O debate juntou perspetivas complementares sobre o mesmo desafio. Gustavo Jesus, médico psiquiatra, apontou o estigma como barreira: “Continuamos a separar a saúde mental da saúde física, mas a saúde é uma só e começa no cérebro. Enquanto o estigma impedir as pessoas de procurar ajuda e os sistemas não integrarem os cuidados, vamos continuar a falhar. Estes dados devem servir para nos unir numa única missão: cuidar da pessoa como um todo.”

 

Nuno Canas, médico neurologista e presidente da Liga Portuguesa Contra a Epilepsia (LPCE), alertou para o “lado esquecido” das doenças do cérebro. “A saúde mental ganhou visibilidade, e ainda bem. Mas as doenças neurológicas como a epilepsia, cuja prevalência aumentou 45,3% em 30 anos, continuam na sombra. Precisamos de mais especialistas e de estruturas de apoio que garantam o acompanhamento de que estes doentes necessitam.”

 

Do ponto de vista dos cuidados de saúde primários, Nuno Jacinto, especialista em Medicina Geral e Familiar e presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), sublinhou: “O médico de família é, muitas vezes, a primeira porta de entrada para estes doentes. Somos essenciais no diagnóstico precoce e no acompanhamento, mas precisamos de mais formação, de melhores ferramentas e de uma articulação eficaz com os cuidados hospitalares. Reforçar os cuidados de saúde primários é o primeiro passo para um sistema mais eficiente.”

 

Carla Gonçalves, diretora médica da Angelini Pharma Portugal, destacou o compromisso da empresa: “O nosso papel vai além de disponibilizar soluções terapêuticas. É nossa responsabilidade fomentar a ciência, apoiar a educação dos profissionais de saúde e colaborar ativamente para responder às necessidades não satisfeitas dos doentes. Os dados de hoje reforçam a necessidade de continuarmos a investir em investigação e em parcerias que tragam esperança e melhores resultados em saúde para os portugueses.”

 

O relatório Headway ‘Saúde do Cérebro em Portugal’ deixa um desafio claro aos decisores políticos: o país precisa de um Plano Nacional para a Saúde do Cérebro, com metas mensuráveis, financiamento dedicado e uma abordagem que integre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento. A oportunidade está quantificada: transformar um custo de 4,7 mil milhões de euros num investimento com retorno comprovado para as pessoas, para as famílias e para a economia.

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Jornal Digital Vila de Rei

J. Vitorino – Jornalista Diretor

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