Os anos perdidos por Portugal em subdesenvolvimento e atrasos a outros níveis, em comparação com outros países na União europeia, e que alguns políticos justificam serem compensados com a devolução da democracia, é uma inconsequente falácia; até porque o 25 de abril de 1974 foi há 52 anos, e ainda hoje serve de desculpa para justificar o caudal de pobreza em que o país está mergulhado.
Ao fim de duas gerações ainda existem partidos políticos com assento parlamentar, que continuam a viver no romantismo revolucionário desse longínquo dia de abril; enquanto os portugueses caminham penosamente para as urnas de voto em nome da democracia; para em parte muitos se justificarem o terem-se servido dela em benefício próprio, como é do conhecimento de todos.
É urgente “Refletir no Portugal atual”, sem descuidar o futuro das nossas crianças e jovens; e também os idosos que estão condenados a passarem o resto das suas vidas, em condições de pobreza indescritíveis.
Os motivos que atiraram os portugueses para cauda da Europa, onde não existe atualmente um único país a viver em ditadura, precisam de uma séria reflexão; por isso vai sendo tempo de não ser explorada por uns quantos aquela data, para justificarem os atropelos de que este povo tem sido vítima; em parte para enriquecer alguns, enquanto a maioria do povo português caminha para a pobreza sem retorno; nada mais lhes restando que os tortuosos caminhos da emigração, que vão esvaziando os poucos cérebros que temos que seriam imprescindíveis, para retirar Portugal desta intolerável situação de pobreza.
O líder de um partido político disse recentemente, que o 25 de abril era uma revolução inacabada e tem toda a razão; porque na altura foi visto pela imprensa internacional não como uma revolução, mas sim um assalto ao poder; como o verão quente de 1975, assim o veio comprovar.
Se na altura própria tivesse sido aliviada a carga ideológica que caracterizou o 25 de abril, hoje Portugal seria um país próspero; e estávamos longe da dramática situação, em que vivemos neste momento, não obstante que algumas boas intenções tivessem pensado o contrário; hoje todos sabemos o rumo que os acontecimentos tomaram, e contra os factos não existem argumentos.
Uma verdadeira democracia reflete-se na independência e prosperidade de um país, para que todos os seus cidadãos e futuras gerações tirem o legítimo benefício dela, e não apenas exclusividade de “algumas elites”.
Dou como exemplo Santiago Carrilho, que ajudou na democratização da Espanha; um acto patriótico, que sacrificou em pouco tempo 80% do seu eleitorado.
A ele e a Adolfo Suarez (já falecidos), se deve a Espanha democrática de hoje; é esta a diferença abismal entre uma democracia, e a ideologia política que conduziu os portugueses, aos tortuosos caminhos da Venezuela e Cuba; Portugal precisa de ter estabilidade é certo; mas vai sendo tempo de pensar na maioria nos portugueses, que se sentem deserdados da democracia.
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OBS: A livre opinião é a única mais valia que nos deixa “esta democracia”, mas não mata a fome a um terço dos portugueses.

J. Vitorino – Jornalista Diretor